Libertado na semana passada da prisão onde havia ficado os últimos oito meses, o sindicalista Udo Wahlbrinck fez denúncias graves à reportagem do jornal FOLHA DO SUL: segundo ele, na carceragem, determinados detentos são tratados de forma desumana por alguns dos agentes responsáveis por tomar conta deles: “Quando cheguei lá, os primeiros dois dias passei dormindo no chão. Desenvolvi uma sinusite. Foram dois meses de febre, que eu cortava no chuveiro. Perdi parte da minha visão, porque a sinusite só melhora com anti-inflamatório, mas não me deram os remédios. Meu cabelo caiu”, conta.
Durante uma rebelião ocorrida no presídio, Udo ficou quatro dias sem comer, segundo relata: “Foram quatro dias de greve de fome. Perdi mais de 20 quilos, que depois recuperei”. Udo fala que a qualidade da comida oferecida aos detentos muitas vezes era ruim, e que cerca de 30% dos apenados estão ali com prisões forjadas com aguardando há meses por sentenças simples. “Colocar 18 pessoas numa cela com 25m² não ressocializa ninguém”. Alguns presos, segundo Udo, eram portadores de doenças contagiosas, como a Hanseníase, e não recebiam tratamento.
O sindicalista foi transferido para o novo presídio onde, segundo relata, ficou um dia todo encolhido: “Fiquei agachado das 11:50 até a noite, oito horas, e como tenho problema de coluna, na hora de voltar, outros detentos tiveram que me ajudar a levantar. Foram 5 dias pedindo medicamentos, até que um detento da cela 8 me deu uns comprimidos dele”. Relatando que um vidro de dipirona levou 20 dias para chegar a ele e que nos últimos 15 dias só viu o sol três vezes, o sindicalista finaliza prometendo acionar órgãos de Direitos Humanos para tomar providências.
Autor:
Suzane Schmitka
Fonte:
FS
Publicado em 23 de Novembro de 2012, às 16:36