Aly Muritiba é baiano, mas mora e trabalha em Curitiba já há alguns anos. Seu nome acaba de romper a barreira do anonimato por ter tido um curta, “A Fábrica”, pré-selecionado para a disputa da premiação de Melhor Curta-Metragem para o Oscar de 2013. Em um bate-papo rápido por telefone, ele falou com exclusividade ao POP sobre a repercussão da indicação.
Muritiba explica que, diferente da indicação para longa-metragem, que acontece por intermédio do Ministério da Cultura, os curtas conquistam o direito de inscrição caso tenham vencido alguns festivais que existem mundo afora. “A Fábrica” venceu dois deles (na verdade, Muritiba explica, “A Fábrica” é o curta brasileiro com mais vitórias em festivais dos últimos tempos): O World Wide Film Festival, do Canadá, e o Festival de Cartagena de Indias, na Colômbia.
Sem falsa modéstia, Muritiba diz que se sente surpreso com a indicação de “A Fábrica”: “ele tem características muito distintas do que Hollywood costuma procurar. Todo com câmera na mão, com não atores e atores, sem trilha sonora e temática de presídio.” “A Fábrica” entrou em uma primeira seleção de 125 trabalhos, reduzidos para 25 e, agora, os 11, digamos, semifinalistas, “mas só se rolar de ser realmente indicado, de entrar nos cinco, que vou começar a me preocupar com smoking, passagem, essas coisas”, diz Muritiba.
Ainda assim, a pré-indicação já rendeu a Muritiba alguns louros: “‘A Fábrica’ era muito conhecido entre outros cineastas, atores e roteiristias. A pré-indicação rompeu algumas barreiras, levando o filme para o público leigo, gente que não teria contato com ele de outra forma.”
“A Fábrica” é parte integrante de uma trilogia ambientada em penitenciarias. Muritiba agora, mais do que preocupado com o Oscar, está se dedicando a finalizar os outros dois projetos. Um outro curta chamado “A Gente”, sobre os agentes penintenciários, e um longa chamado “O Pátio”, que encerraria o trabalho tematicamente.