Cerca de 160 mil cabeças de gado são criadas no município, com predominância para gado de corte
 
De 2019 a 2022 o rebanho bovino de Vilhena cresceu 29,1%, saindo de 121,4 mil cabeças para 156,7 mil. A elevação é maior que a do Estado no período, que saiu de um plantel de 13,8 milhões para 16,8 milhões, um crescimento de 22,3%. Cada vez mais especializada no gado de corte, a cidade observa o total de animais destinados à pecuária leiteira reduzir significativamente nos últimos anos.
 
Os dados são da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron), através da campanha de declaração do rebanho realizada no primeiro semestre deste ano. Levantamento feito pela Folha mostra que Vilhena tinha rebanho de gado contabilizado em 121,4 mil cabeças em 2019, sendo 111 mil destinadas ao corte e 10,4 mil à extração de leite. Já em 2022, após a pior fase da pandemia, o total de animais saltou para 156,7 mil, sendo 147,7 mil para produção de carne e outros 9 mil para leite.
 
Esse crescimento demonstra momento de renovação na pecuária local e estadual, de acordo com Hélio Dias de Souza, presidente do sistema formado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (Faperon) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Ele explica que apesar de ainda haver tradicionalismos que criam barreiras à melhoria da produtividade, “Rondônia passa por transformações do antigo sistema produtivo na pecuária para um novo modelo que é pautado na melhoria da qualidade de pastagens, no melhoramento genético e dos índices zootécnicos, sem deixar de lado a sustentabilidade dos empreendimentos e o bem-estar animal”.
 
A melhora nas práticas de criação resultou em crescimento importante no rebanho vilhenense na última década, que cresceu 61,5% de 2013 pra cá. No mesmo período, o rebanho estadual cresceu 40,7%, indo de 12 milhões para 16,8 milhões de cabeças.
 
Contudo, o número de animais destinados à produção de leite em Vilhena vem reduzindo paulatinamente nos últimos 10 anos, tendo registrado 15,5 mil cabeças em 2013 e hoje soma apenas 9 mil, uma redução de 42%. As dificuldades com os custos de produção, melhorias tecnológicas, diminuição do consumo, redução na mão de obra disponível para o setor entre outros entraves colaboraram para o resultado negativo.
 
Pesquisadores demonstraram esta realidade em 2021. Os estudiosos do projeto Campo Futuro, realizado pelo CNA/Senar com parceria da USP, UFV e UFLA, visitaram 19 regiões produtoras nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rondônia, de junho a setembro.
 
As fazendas que tiveram os melhores resultados foram as que tinham produtividade de 10 mil litros por hectare ao ano, com margem líquida de R$ 0,04 de lucro por litro. Já os produtores de média e baixa produtividade acabaram operando com margem negativa, sendo os que mais sentiram os efeitos da alta nos custos na atividade leiteira. No período, o custo operacional da atividade, segundo o estudo, acumula 15,7% de elevação, sendo que os componentes ração/concentrado tiveram alta de 15% e o sal mineral 24,7%.