“Linhão” de quase 350 km ligará Vilhena a MT gerando cerca de 3 mil empregos com previsão de conclusão em até 5 anos
Quase 350 km de linhas de transmissão serão construídas entre Vilhena e Jauru (MT), num investimento de R$ 1,3 bilhão e mobilização de 2.491 trabalhadores diretos e indiretos. Isso porque a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) realizou recentemente um grande leilão que totaliza R$ 5,5 bilhões para construção de linhas de transmissão e subestações no país, no qual o Lote 4, que envolve Vilhena, foi um dos sete oferecidos. O motivo das obras em Rondônia, que ajudarão o Estado a “importar” energia em momentos críticos, são as mudanças climáticas, que em Porto Velho causaram secas históricas no rio Madeira, comprometendo a confiabilidade, constância e geração de energia das hidrelétricas rondonienses.
O empreendimento visa a ampliação da capacidade de transmissão do subsistema Acre-Rondônia, atravessando os estados de Mato Grosso (MT) e Rondônia (RO). “No ano de 2023 a região Norte do país passou por uma condição de estiagem severa, que impactou fortemente as vazões do rio Madeira. Essa crise hídrica levou ao desligamento completo da usina de Santo Antônio, fato inédito desde a sua motorização e a uma operação da UHE Jirau com número de máquinas extremamente reduzido, com apenas 7 unidades geradoras sincronizada”, diz o estudo que justifica a obra.
Especialistas da pesquisa, garantiram ainda que o “estudo avaliou e propôs as obras de transmissão necessárias para possibilitar o aumento da capacidade de transmissão do sistema Acre e Rondônia” e objetivou “identificar e definir os cenários energéticos caracterizados por situações climáticas críticas” para reduzir “os riscos no atendimento ao mercado consumidor”. Verificou-se que os eventos críticos de seca chegam a reduzir a capacidade de produção de energia em até 10% no Estado.
A análise revela que o sistema elétrico AC/RO exporta energia por 80% do tempo, mas em 20% das ocasiões precisa importar, devido às secas. Contudo, durante eventos climáticos extremos, que estão aumentando em frequência devido ao aquecimento global, a geração de energia cai bruscamente e a capacidade da rede de importar energia não é suficiente para suprir toda a demanda. Assim, soluções operativas de curto prazo serão tomadas até 2028, enquanto as novas linhas de transmissão não ficam prontas. Saindo dos 230 kV atuais para os 500 kV leiloados, a capacidade de suportar tensão será maior e mais energia a linha conseguirá transportar por longas distâncias, com menos perdas.
Pelo contrato, as obras, que devem ser concluídas no máximo 60 meses, incluem a construção e manutenção de: (1) Linha de Transmissão 500 kV Jauru - Vilhena 3 C1, com extensão de 344,5 km; (2) Linhas de Transmissão 230 kV Vilhena - Vilhena 3, com 4,9 km e (3) Subestação 500/230 kV Vilhena 3, com 150.000 m², a ser construída junto à subestação já existente ao lado do trevo que dá acesso a Colorado do Oeste, na BR-364. Mais obras no pacote envolvem a instalação de um compensador síncrono na subestação, unidades de transformação, comutadores de derivação, entre outros.
Obra de Jauru a Vilhena, juntamente com as demais instalações, é, segundo a agência, “um reforço essencial para a resiliência do Sistema de Transmissão do Acre e Rondônia, especialmente em respostas às mudanças climáticas”. A licitação pública envolveu obras de R$ 5,5 bilhões e se destina à construção e manutenção de 1.081 km em linhas de transmissão e seccionamentos, bem como de 2.000 megawatts em capacidade de transformação, além de sete compensações síncronas.
Arrematado pela empresa FIP Warehouse, o trecho que chegará até Vilhena venceu ao oferecer o valor de R$ 116,2 milhões, representando um deságio de 47,30% em relação à Receita Anual Permitida (RAP) inicial estabelecida pela ANEEL (R$ 220,5 milhões). A RAP é a receita que o empreendedor receberá pela prestação do serviço de transmissão após a entrada em operação comercial das instalações.
Fotos
Autor:
Da Redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 12 de Dezembro de 2025, às 08:32