Acusado por algumas pessoas de estar usurpando as funções políticas e administrativas do prefeito Zé Rover (PP), o promotor Paulo Lermen vai ficar, mais uma vez, no “olho do furacão”.
Desta vez, a queixa de ingerência do agente do MP em “assuntos alheios” deve partir dos desportistas. Isso porque há pelo menos três anos, Lermen vem impedindo que o município repasse dinheiro para que o único time de futebol da cidade (o VEC) dispute o campeonato estadual.
De acordo com um dirigente do clube, que preferiu não se identificar, em 2009, o cheque com o repasse para a equipe já estava pronto, mas teve que ser cancelado por causa de uma ameaça do promotor. “O Rover recebeu uma correspondência do MP dizendo que se ele liberasse a verba, seria denunciado por improbidade administrativa”, relata o cartola.
No ano seguinte (2010), a situação se repetiu e, sem poder abrir os cofres de sua administração, Rover teve que percorrer o comércio pedindo ajuda para bancar o VEC. Neste ano, sua promessa de ajudar o Lobo do Cerrado deve, mais uma vez, esbarrar na ameaça do MP de levar o caso à justiça. “E que político tem coragem de se arriscar, sabendo que uma condenação pode acabar com sua carreira, nesses tempos de Lei da Ficha Limpa?”, indaga o desportista.
Pelo menos num aspecto, tem procedência as reclamações contra a atuação de Paulo Lermen. Todos os times que participam do Estadual estão sendo financiados por seus respectivos municípios. Só para ficar num exemplo, veja o que aconteceu em Porto Velho, segundo releases distribuídos a toda a imprensa: “A prefeitura de Porto Velho, através da Secretaria Municipal de Esportes, anunciou a liberação de R$ 50 mil para os representantes da capital na disputa do Campeonato Rondoniense 2011.
O valor será dividido entre os dois clubes: Genus e Moto, sendo cada equipe beneficiada com 50% da verba. Caso consigam chegar à semifinal, a prefeitura promete liberar mais recursos financeiros, buscando, dessa forma, quebrar um longo jejum de títulos para a cidade.
O secretário de Esportes, Cleverson da Silva, aproveitou para criticar a falta de planejamento das equipes para a disputa do Estadual, visto que a solicitação deveria ter sido realizada em outubro do ano passado pelos clubes profissionais, mas mesmo assim a secretaria resolveu ajudar os filiados”.
A pergunta que alguns vilhenenses se fazem é: se em todas as cidades que têm times na competição existe uma unidade do Ministério Público, porque só o promotor de Vilhena contesta a ajuda financeira ao representante local na competição?