Assim que assumiu o mandato de prefeito em Cerejeiras, em janeiro de 2013, o empresário Airton Gomes (PP) enfrentou uma greve de servidores municipais. O movimento, liderado pelo sindicalista Helder Turci, acabou sem obter uma resposta satisfatória, que era um reajuste de 7,25 por cento nos salários da categoria.

Depois, em março de 2014, o mesmo grupo de servidores, liderados pelo mesmo sindicalista, pressionou o prefeito de Cerejeiras com mais uma paralisação. Na época, em visita ao município, até o governador Confúcio Moura (PMDB) se deparou com uma manifestação pública dos grevistas.

Agora, em março de 2015, outra greve começa a surgir no horizonte do prefeito cerejeirense. Em viagem para Brasília, Airton Gomes pode voltar e se deparar com os servidores municipais da educação de braços cruzados.

Os movimentos grevistas anteriores conseguiram do prefeito algum avanço. Não houve aumento real nos salários dos servidores, mas o prefeito concedeu vale-alimentação que, no final de 2013, era de R$ 109. Hoje esse vale, que pode ser descontado no comércio local, passa de R$ 200.

Em um discurso na Câmara, em dezembro de 2014, Airton Gomes disse lamentar a situação dos servidores do município, mas afirmou que não pôde fazer muita coisa por eles. “A única coisa que eu realmente lamento no meu mandato foi o fato de não poder dar um aumento real para os servidores municipais”, disse o prefeito na época aos vereadores. Em outras ocasiões, o mandatário afirmou que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a queda dos repasses federais para o município o impedem de dar um aumento efetivo ao funcionalismo.

Na sessão da Câmara desta segunda-feira, 09, conforme o FOLHA DO SUL ON LINE noticiou com exclusividade, o sindicalista Valdecir Sapara, diretor municipal do Sintero/RO, diz que os servidores municipais da educação irão fazer uma “paralisação temporária, como aviso” nesta terça, 10. A promessa foi cumprida, conforme mostram as fotos desta reportagem, de funcionários paralisados se manifestando nas ruas cerejeirenses na manhã desta terça.

Também em entrevista ao site, o próprio sindicalista diz que “pode ser” que o movimento grevista anunciado entre os servidores da educação se espalhe para o funcionalismo geral do município. A folha de pagamento da prefeitura de Cerejeiras tem 150 servidores em educação e cerca de 500 de forma geral.