Mark Pereira, 33 anos, nasceu em São Jorge dos Açores, uma ilha de Portugal. O português é pastor batista vivendo na cidade portuguesa de Albufeira e esteve em Vilhena em dezembro de 2009, palestrando numa igreja evangélica, e pretende voltar em março deste ano. Esteve também em outras cidades de Rondônia.

 

Como bom português, Pereira está enfrentando duas dificuldades. A primeira delas é se acostumar com a reforma ortográfica, que teve mais mudanças no português lusitano  que no brasileiro. “Mudou tudo”, reclama. A segunda dificuldade é entender a crise econômica de Portugal, decorrente de políticas desastrosas internas e da recessão europeia.

 

Apesar de sentir que não pode dar “lições” para os rondonienses, o português, por rede social, diz que o nosso Estado pode aprender com Portugal, pelo menos pelo contraexemplo. A crise econômica e política que Rondônia está passando não chegam ao drama da crise portuguesa, mas pode ter raízes semelhantes.

 

 

Pereira afirma que o povo português transferiu para o governo a responsabilidade de sustento e até da felicidade da população. “Os portugueses só vivem reclamando do governo. Eles acham que as coisas estão assim por culpa dos políticos e por culpa da Alemanha. Eles acham que o governo é responsável pela felicidade do povo. Só querem benefícios, seguro desemprego, aposentadoria mais cedo e outros benefícios”, diz. “Aonde vou vejo pessoas reclamando. A mentalidade portuguesa não muda. A crise está causando uma depressão social profunda. Aqui só se fala em crise”, lamenta.

 

Na igreja em que o português atua, há poucas pessoas desempregadas, segundo ele. “Graças a Deus poucos estão sem emprego, mas é preocupante. Já tivemos irmãos que tiveram que jantar nas entidades de assistência social, mas têm muitas pessoas que ainda não sentiram os efeitos práticos da crise”, afirma.