Casais, parentes, crianças, idosos, esposas, dirigentes, curiosos, estudantes e conterrâneos. Sem contar o prefeito. Camisas de todas as cores, bandeiras, faixas e cartazes. Desconhecidos se abraçavam em gritos de guerra, músicas, cânticos provocativos e risadas, independentemente do que acontecia. Uma verdadeira farra. A descrição parece até de alguma festa de rua carnavalesca, mas não era. Tratava-se da barulhenta torcida do Vilhena Esporte Clube, que teve presença marcante no Pacaembu na noite desta quarta-feira, 03, e por pouco não surpreendeu o Palmeiras, mesmo com a derrota por 2 a 0. Com direito até a corintianos "intrusos", torcedor alviverde barrado e gritos de "o Vilhena é melhor que o Ituano".
O pequeno município de nome homônimo, de apenas 87 mil habitantes e localizado no distante Estado de Rondônia, apareceu como poucas vezes antes para o Brasil  nesta quarta-feira. E a diferença de um mísero minuto entre uma bola no travessão do ataque visitante, aos 26min do segundo tempo, e o contra-ataque fulminante que culminou no primeiro gol de Bruno César, aos 27min, separaram o Vilhena de uma vitória histórica contra o gigante Palmeiras. Resultado à parte, contudo, o modesto time rondoniense, de folha salarial total beirando R$ 100 mil - número bem inferior ao salário individual de diversos jogadores do time paulista - fez bonito no Pacaembu, independentemente do resultado.
O Terra acompanhou os 90 minutos do confronto ao lado dos cerca de 100 fãs que compareceram ao setor destinado à equipe visitante para apoiar o Vilhena. E tinha mesmo de tudo: rondonienses que simpatizam com outros clubes da região, mas por morarem em São Paulo foram torcer para o time só por serem de Rondônia; presença do prefeito local ao lado da diretoria da agremiação; um grupo de amigos que foi de van de Serra Negra (SP); casal que já morou na cidade; parentes de atletas; corintianos infiltrados e até um palmeirense barrado para fora do estádio.


Veja algumas histórias da saga da torcida do Vilhena no Pacaembu:

 

CRUZEIRENSE RONDONIENSE E FÃ DE UM RIVAL - A reportagem chegou no setor destinado ao time visitante por volta de 21h30 desta quarta e logo foi questionada por um simpático torcedor: "você também é de Ariquemes?". Esse era justamente o município onde nasceu Amauri de Souza Junior, 25 anos, que mora em São Paulo e cursa Publicidade no Mackenzie.

Com a bandeira de Rondônia nas costas e acompanhado por outros conterrâneos que residem em solo paulista, Amauri era um dos mais animados na hora de gritar para incentivar. "Na verdade torço para o Ariquemes, mas hoje sou Vilhena, sou de Rondônia", disse, animado, antes de confessar: "e cruzeirense de coração, sou do campeão brasileiro".


"TOCAIA PAULISTA" E CORINTIANOS INTRUSOS - Apesar de ter iniciado o confronto no banco, o jogador Tiago teve torcida particular na arquibancada do Pacaembu. Com 25 anos e ex-atleta de Prudentópolis, Paraná e sub-20 do São Paulo, de acordo com amigos, o atleta viu os companheiros do Tocaia - equipe de futsal amadora paulistana - comparecerem.