Após quase 10 horas de julgamento, jurados acolheram a tese de clemência apresentada pela defesa; crime ocorreu em 2022 motivado por ciúmes
 
O Tribunal do Júri absolveu na quarta-feira, 15, em Vilhena, Valdirene Alves de Jesus, de 39 anos, acusada de tentar matar o marido e a ex-companheira dele. O julgamento, que durou quase 10 horas, encerrou-se após as 18h, com a leitura da sentença pela juíza presidente, confirmando que o conselho de sentença optou pela absolvição da ré “por clemência”.
 
O crime aconteceu na manhã de 9 de maio de 2022, na rua Boa Vista, bairro Embratel, em Vilhena. De acordo com a denúncia, Valdirene foi até o local após receber uma ligação informando sobre uma suposta traição. Ao encontrar o marido na residência da ex-mulher, com quem ele tem dois filhos, a mulher desferiu golpes de faca contra o próprio marido e a ex dele. A agressão foi interrompida quando o homem conseguiu desarmá-la.
 
Valdirene respondia por dupla tentativa de homicídio qualificado, com as agravantes de motivo fútil (ciúme) e recurso que dificultou a defesa das vítimas.
 
Durante o processo e em depoimento no júri, a acusada afirmou que era constantemente alvo de ofensas por parte da ex-companheira do marido, inclusive de cunho racista. Segundo Valdirene, tais insultos teriam se repetido no dia do ocorrido.
 
A defesa baseou sua estratégia em duas frentes. Uma delas pedia a desclassificação do crime de tentativa de homicídio para lesão corporal, sob o argumento de que não houve intenção de matar. A outra frente defendia a tese de clemência, que pede a absolvição com base na compaixão e no perdão, dispositivo que permite aos jurados livrarem o réu da pena, mesmo quando a autoria e a materialidade do crime são comprovadas.
 
Os jurados acataram a tese de clemência, decidindo pela liberdade da ré. A decisão é soberana do Tribunal do Júri, baseada no entendimento dos cidadãos que compuseram o conselho de sentença sobre as circunstâncias emocionais e sociais apresentadas durante o debate jurídico. Cabe recurso do Ministério Público.