Na noite de ontem (sexta-feira, 09) um grupo de muçulmanos vilhenenses que fazia orações na sede da Sociedade Pelesina, foram presos, acusados de invadir o imóvel onde funciona a entidade, instalada na rua Nélida Silva Shurtz, próximo ao Centro de Treinamento da Prefeitura. A ação da polícia, que estava com um Mandado de Reintegração de Posse, foi motivada pela queixa de um ex-membro da instituição, interessado em vender o imóvel, que foi doado pela Prefeitura. O documento, no entanto, é o mesmo que havia sido emitido para retirar do local, há duas semanas, o filho de um outro associado, que morava ali.
A ação da polícia, segundo um dos religiosos, descambou para a truculência quando um jovem que fazia parte do grupo pediu para que os PMs esperassem o fim das orações. Ouve bate-boca e, além do rapaz, também foi levado para prestar esclarecimentos o Sheik (líder espiritual) egípcio que comandava a cerimônia. O religioso, aliás, lembrou que mesmo os judeus, com os quais os muçulmanos vivem em conflito no Oriente Médio, esperam o fim das orações para realizar prisões.
As cinco pessoas que faziam as preces foram levadas para DPC, sendo dois deles algemados. O caso pode ganhar repercussão internacional, pois o episódio já foi relatado ao consulado palestino em São Paulo. Um dos membros da entidade diz que a origem das divergências entre os muçulmanos locais, que usam o local como uma “Mesquita”, seria o desejo de dois associados de vender o imóvel. “Mas a lei não permite a transação, porque a doação da Prefeitura foi feita à Sociedade Palestina”, diz um comerciante de origem árabe, que teve dois de seus irmãos presos na ação policial.