O juiz titular da Vara de Execuções Penais, Luiz Carlos Velois, acionou o Conselho Nacional de Justiça para denunciar um suposto descaso por parte da Justiça do Amazonas em não ter comunicado com rapidez a descoberta de um plano de execução contra a vida do magistrado. Ele afirma que o caso foi descoberto em janeiro, mas só comunicado ao juiz neste mês de agosto.
"Isso me deixa triste, desprotegido, fragilizado para realizar um trabalho duro como este que é feito no sistema penitenciário. Deixar o juiz dessa forma, sem informação, fere a liberdade e a independência do magistrado. Acho muito perigoso e um absurdo o que fizeram comigo", relatou.
Luiz Carlos Velois apresentou um ofício da Secretaria de Segurança do Amazonas (SSP-AM) datado em 12 de janeiro de 2012 e assinado pela ex-presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), João Simões, que relata a existência de um plano que está supostamente sendo organizado em uma penitenciária Federal, em Rondônia, para matar o magistrado. Ele afirmou que desconhecia o caso até a quarta-feira, 8 de agosto. "Esse ofício da SSP-AM teria sido entregue no Tribunal em janeiro. O presidente do tribunal na época despachou em maio e eu recebi só em agosto esse comunicado", disse ele.
Ele descreve a situação como um descaso por parte da Justiça do Amazonas. "É uma demora incompreensível de uma situação tão séria que poderia ter sido comunicada por telefone como muitas vezes acontece. Porém, eles fizeram apenas um ofício, carimbaram um papel, e me comunicaram que tinha uma ameaça contra a minha vida. Achei isso um absurdo", disse.
Apesar de já estar sendo escoltado, ele diz temer pela segurança dos filhos após saber que esteve correndo risco por tanto tempo sem saber. "Tenho dois filhos e a comunicação de uma ameaça contra a minha vida para o Tribunal onde eu presto serviço deveria ter sido feita há tempos. Eu espero que, a partir de hoje, a minha família também tenha a assistência necessária", concluiu.
Em nota, a presidência do Tribunal de Justiça do Amazonas informou que as medidas cabíveis já foram tomadas e que vai comunicar ao Conselho Nacional de Justiça sobre os procedimentos adotados para resguardar a integridade física do magistrado e da família dele.