Uma apresentação da Esquadrilha da Fumaça, grupo de acrobacias da Força Aérea Brasileira (FAB), terminou em tragédia ontem à tarde em Lages (SC). Um dos sete aviões caiu durante uma manobra e explodiu. O piloto Anderson Fernandes, 33 anos, morreu carbonizado.
O acidente aconteceu às 17h25min, instantes depois de os pilotos iniciarem o show em comemoração aos 68 anos do aeroclube da cidade. Cerca de 10 mil pessoas foram aos arredores do Aeroporto de Lages para assistir às manobras.
Logo depois da queda, durante uma manobra conhecida como parafuso, muitas pessoas correram para o ponto das chamas na tentativa de salvar o piloto. Algumas estavam a 300 metros de onde o avião caiu.
As equipes de resgate chegaram em seguida e começaram a apagar as chamas. Militares do Exército que reforçavam o esquema de segurança precisaram dispersar o público para que os outros seis aviões da esquadrilha pudessem descer. Eles levaram 15 minutos para desobstruir completamente a pista.
Uma hora depois do acidente, o capitão Alexandre Ribeiro ainda estava trêmulo. Ele participou da apresentação.
– Estou me esforçando para manter o equilíbrio. Não é fácil perder um irmão em um acidente de trabalho – disse.
O militar não tinha explicações para o que aconteceu. Não comentou se o avião pôde ter tido algum problema mecânico, se o colega passou mal na cabine ou cometeu algum erro.
– Só percebi o que aconteceu quando vi a explosão – acrescentou.
No início, tanto público quanto militares acreditaram que o piloto tivesse conseguido sair do avião, já que a aeronave tem um dispositivo que joga o assento para fora da cabine em caso de pane. Mas logo depois a morte foi confirmada.
Muitas pessoas que assistiam à apresentação choraram. O mecânico Alexandre Bitencourt, 36 anos, que levou duas crianças, uma de cinco e outra de oito anos, para ver o show, era um dos que estavam assustados com o acidente:
– Estou chocado até agora. É difícil acreditar no que aconteceu.
O comerciário Volci Viera de Souza, 49 anos, foi de Florianópolis a Lages para aproveitar o feriado com parentes. Chegando à cidade, soube da apresentação dos pilotos e não quis perde-la. Levou o filho de oito anos:
– Nunca imaginei que algum dia pudesse ver uma coisa dessas. É terrível.
A jornalista Kellen Duarte, 31 anos, foi de Tubarão a Lages só para ver a Esquadrilha da Fumaça. Ela estava a cerca de 300 metros do local da queda do avião.
– Cheguei a sentir o calor do fogo. Fiquei assustada e corri quando vi o avião cair e explodir – contou.
Após a queda, a equipe de resgate chegou a procurar por um paraquedas na região, mas nenhum material foi encontrado.
Até ontem à noite, a pista do Aeroporto de Lages estava fechada e cercada por militares – o terminal não recebe voos regulares, só fretados. Um avião do Exército era esperado para recolher os destroços, que devem ser usados na investigação do acidente.
O comando da Aeronáutica divulgou nota lamentando o acidente e informando que investigará o que aconteceu.
A Esquadrilha da Fumaça fez três apresentações em Vilhena nos últimos anos e atraiu um grande público ao aeroporto local.
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NA FOTO, O PILOTO ANDERSON FERNANDES APARECE NA ASA DO AVIÃO, EM VILHENA.
NA SEGUNDA FOTO, ANDERSON CONTINUA NO AVIÃO ENQUANTO SEUS COLEGAS POSAM PARA FOTO AO LADO DE VILHENENSES.