O filho de Elivaldo Angelino Ribeiro, de 44 anos, morto com um tiro na testa, na manhã desta quarta-feira, depois de uma tentativa de assalto, na Avenida Francisco Bicalho, no Centro do Rio, contou que chegou a passar pelo corpo do pai quando estava indo para o trabalho, mas não o reconheceu. Cleiton Nascimento, de 19 anos, e Elivaldo trabalhavam juntos em uma construção na Lagoa, na Zona Sul do Rio. O jovem disse ainda que os dois costumavam ir juntos para o trabalho, mas, nesta manhã, como Cleiton acordou mais tarde, pegou o ônibus horas depois.
- Sempre vínhamos juntos. Meu pai era um cara trabalhador, estava de pé todo dia às 5h. Hoje, eu acordei mais tarde e não estava com ele. Passei pelo corpo, cheguei a ver os pés dele, mas não sabia que era o meu pai - contou Cleiton, emocionado.
Elivaldo foi atingido por uma bala perdida quando atravessava a rua. Ao lado do corpo, foi encontrada a marmita que ele carregava na mochila. Cleiton soube da morte do pai pela internet, depois que seu patrão o liberou do expediente. Segundo o rapaz, assim que chegou no trabalho, ele perguntou pelo pai, mas foi informado de que Elivaldo não estava. Logo depois, o responsável pela obra o dispensou, dizendo para ele ir para casa porque algo tinha acontecido com seu pai.
- Eu cheguei lá na obra e nada dele chegar. Estranhei porque eu sai de casa depois e ninguém queria falar comigo. A gente pegava todo dia esse trânsito junto. Dói muito perder um pai assim - disse Cleiton.
O jovem falou que toda a família está em estado de choque com o ocorrido. Elivaldo era divorciado e morava sozinho em Santíssimo, na Zona Oeste do Rio. Cleiton mora no mesmo bairro com sua mãe. Um irmão mais velho estava em São Paulo e virá para o enterro, que ainda não está marcado.
Na porta do Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio, Cleiton criticou a atitude do policial em reagir ao assalto. Ele disse que ainda é cedo para pensar em alguma ação contra o Estado.
- Está todo mundo chorando a morte do meu pai. Ele morreu por causa de uma moto, por causa de uma moto. A reação do policial tirou a vida do meu pai. Não sei de quem veio a bala - afirmou o garoto.