Na semana passada, a Igreja Missionária Unida de Vilhena abriu espaço para um pregador inusitado: falando para um templo lotado, o pastor Antônio Ferreira Lima apresentou-se como sobrinho-neto do cangaceiro Virgulino Ferreira, o famoso Lampião.

Hoje com 73 anos, o missionário deu um testemunho que emocionou os fiéis, narrando sua própria participação no cangaço. Lima revelou que, ainda adolescente, matou um homem pela primeira vez, mas fez questão de explicar: “Jamais tirei a vida de alguém por dinheiro. Nunca fui pistoleiro”, disse, diante do público que, entre assustado e hipnotizado, ouviu o relato cruel dos anos de violência vividos pelo pregador.

O ex-cangaceiro disse ter “perdido as contas” dos assassinatos que cometeu, sempre por causa de brigas de família, comuns no Nordeste, onde passou a maior parte da infância. Segundo revelou, quando tinha 11 anos, ainda sem destreza para segurar rifles ou carabinas, era incumbido pelo avô, Acelino Ferreira, primo de Lamipão, de vigiar a entrada da fazenda da família.

Antônio disse que, quando se preparava para matar a tiros duas pessoas que o haviam roubado, acabou entrando numa igreja e ali, “encontrou Jesus”. Desde então, aposentou as armas e tem usado a Bíblia como única proteção.

Estabelecido em Goiás e casado com a cantora evangélica Edy Lima, a quem chama de “meu amorzinho”, o veterano matador confessa que já esteve preso, mas se diz arrependido dos atos de violência que praticou, numa época em que tinha muita coragem e o “dedo mole”.