Passados 15 anos do “Massacre de Corumbiara”, a Fazenda Santa elina, em Corumbiara, onde aconteceu o confronto entre sem-terra e policiais, no qual houve 11 mortes, está prestes a ser usada para reforma agrária. O conflito, que ganhou repercussão mundial, aconteceu em agosto de 1995.
Após o “banho de sangue”, a fazenda foi dividida entre três herdeiros do dono original, Hélio Pereira. Atualmente, uma das propriedades cumpre integralmente a sua função social, enquanto outras duas possuem pendências ambientais, detectadas em vistoria do Incra, realizada no ano passado.
A FOLHA obteve junto a um proprietário rural com terras na região, a informação de que as proprietárias dos dois imóveis supostamente irregulares já estariam conversando com órgãos do governo federal para que a terra seja negociada. “Neste caso, não haverá desapropriação e sim negociação”, garante a fonte do site, acrescentando que há interesse das duas partes em celebrar um acordo financeiro.
Logo após o sangrento episódio, o então candidato a presidente Luís Inácio Lula da Silva esteve no local e prometeu assentar os sobreviventes do combate na Fazenda Santa Elina caso chegasse ao poder.
A visita de Lula aconteceu menos um ano após sua derrota para Fernando Henrique Cardoso, na eleição presidencial de 1.994. Na disputa seguinte, o petista foi novamente derrotado por FHC. Só em 2.002, chegou ao Palácio do Planalto e manteve a promessa feita aos sem-terra de Corumbiara. A expectativa no meio rural do Cone Sul é que o assentamento das família aconteça ainda este ano, antes que Lula passe a faixa ao sucessor.
Atualmente, nenhum sem-terra está na região, embora no ano passado um grupo de grileiros tenha tentado invadir uma das áreas que compõem a Santa Elina.É provável que nenhum sem-terra retrorne ao local até que as negociações sejam concluídas, já que uma nova invasão suspenderia todo o processo de assentamento por dois anos.