Quarenta e quatro haitianos que ficaram no Acre por dois meses terão a chance de recomeçar a vida em Cascavel, no oeste do Paraná. Eles vão trabalhar na ampliação do Hospital São Lucas, que pertence à Faculdade Assis Gurgacz (FAG). O acordo entre a faculdade e cada um dos imigrantes foi firmado nesta segunda-feira (30). Os haitianos foram contratados conforme a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

“Nós estamos felizes. Aqui é muito bom, a cidade é muito grande e se paga bem” disse Saint Vil Jean, de 26 anos (FOTO). Ele conta que no período em que ficaram no Acre, o governo brasileiro os ajudou pagando estadia em um hotel de Rio Branco e três refeições diárias.

“Nós chegamos ilegalmente, mas agora está tudo certo temos CPF e Carteira de Trabalho”, contou entusiasmo o jovem haitiano. Saint disse que ele não tem parentes no Haiti, mas que muitos amigos possuem e, se tudo der certo no Paraná, pretendem buscá-los.

 

Dois anos depois do terremoto, que matou 250 mil pessoas, o Haiti entrou em uma crise humanitária e os problemas econômicos pioraram. A solução encontrada por muitos moradores foi abandonar o país e vir para  Brasil em busca de emprego e melhor condição de vida.

“A situação é muito difícil. Depois do terremoto, o país está destruído e não tem trabalho”, explicou Saint Vil Jean. Ele contou que perdeu uma tia e dois primos na tragédia.

Homens, mulheres e crianças deixaram o Haiti pela República Dominicana, passando por Equador, Panamá e Peru. Em terras brasileiras, eles costumam entrar pelo Acre. Estima-se que quatro mil refugiados haitianos estejam no país.

No primeiro mês, a FAG se comprometeu a arcar com as despesas dos imigrantes com moradia e alimentação. Eles também vão passar por curso de capacitação profissional. Até sexta-feira (3) eles vão ficar alojados no ginásio esportivo da faculdade e depois serão acomodados em apartamentos.

 

Em entrevista ao G1, portal de notícias das Organizações Globo, o diretor presidente da FAG, Assis Gurgacz, pai do senador rondoniense Acir Gurgacz (PDT) e dono da Eucatur, uma das maiores empresas de transportes do Estado, afirmou que a falta de mão-de-obra em Cascavel motivou a contratação dos haitianos, mas também destacou que esta poderia ser uma chance da faculdade ajudar os imigrantes.

“Tem um cunho social. Nós vamos, além de prepará-los para o trabalho da área civil e também em outras áreas, fazer esta adaptação cultural, como a familiarização com a Língua Portuguesa”, afirmou Gurgacz.

A princípio os cursos serão voltados para construção civil, mas existe o projeto de ampliar as opções, já que outras áreas da faculdade, segundo o diretor-presidente, estão carentes de profissionais.


A falta de mão de obra é tão significativa que se esta primeira experiência com os haitianos for bem sucedida, a faculdade cogita contratar mais 40 imigrantes. De acordo com Gurgacz, o déficit na área de construção civil para as obras da instituição chega a 160 profissionais.