*Dimas Ferreira
 
Antônio Gonçalves da Fonseca era o nome nos documentos. Na vida e para os milhares de amigos, era simplesmente “Tó Mineiro”.
 
Quando cheguei ao mundo, 55 anos atrás, ele já era amigo do meu pai.
 
Quando cheguei em Rondônia, 30 anos atrás, ainda jovem, foi na sua casa, de braços abertos, como um pai, que ele me acolheu, aconselhou e encaminhou para conseguir tudo o que conquistei neste Estado. Pouco, é bem verdade, mas dignamente. Lições ensinadas, lições aprendidas...
 
E ontem ele se foi. Morte trágica: atacado por um touro em seu sítio no pequeno distrito de Migrantinópolis, na Zona da Mata de Rondônia, onde tinha fincado raízes há mais de 40 anos. Localidade com nome apropriado para migrantes como ele e eu!
 
A ironia desta tragédia inesperada é que, antes de ser protagonista dela, o velho Tó venceu inimigos poderosos: cirurgias complicadas, um cateterismo e a assustadora Covid-19.
 
Outra ironia: ser pisoteado por um animal com o qual era perito em lidar desde jovem, e morrer ao lado da esposa, de quem nunca ficou longe.
 
Estas vitórias na luta pela vida foram garantidas com muita fé, hábitos saudáveis durante seus mais de 80 anos de uma existência reta e produtiva, e um incrível passado de desportista: ele era ponta direita no “time de roça” que meu pai mantinha no interior de Minas. Forte. Craque. Goleador!
 
A amizade dele com meu pai, que já estava com tudo pronto para visitá-lo no natal deste ano de 2021, quem sabe para a despedida de ambos, era sólida há seis décadas. Um incrível caso de intensa admiração mútua. Compadres no papel. Irmãos de coração.
 
Aos leitores que chegaram até aqui, peço desculpas por não narrar a morte deste grande homem com o rigor jornalístico que todos esperam de mim. É que, aqui, não fala o profissional da comunicação, e sim um sujeito duramente atingido pela dor.
 
Aos filhos Valter, Wanderlei, Valdir, Dilsinho, Toninho e a caçula Vanuza: a dor de vocês também é a minha. À esposa, “Dona Fia”, companheira da vida toda, minha gratidão eterna pela acolhida e o carinho que permaneceu depois...
 
*Dimas Ferreira é advogado e editor do FOLHA DO SUL ON LINE. Para o conterrâneo Tó, é “o filho do compadre Quinha”