*DIMAS FERREIRA
 
Um vídeo compartilhado nas redes sociais pelo discreto vereador Zezinho da Disagua (PSD), contendo uma nota assinada por outros sete membros da Câmara Municipal de Vilhena, deixa claro: mesmo após a justiça anular uma eleição realizada por eles, o caso vai prosseguir nos tribunais (ASSISTA O VÍDEO AO FIM DO TEXTO E ENTENDA)
 
Depois da intervenção judicial, o vereador Samir Ali (Podemos) presidente da Casa que escapou da degola, gravou um vídeo para pregar a “pacificação” do Parlamento, que entrou em “autocombustão” há mais de um mês, e desde então, os envolvidos tentam apagar as labaredas usando gasolina.
 
A mensagem veiculada hoje, que em outros termos responde Samir com um super sincero “pacificação é o cacete”, usa expressões duras e indica que o grupo espera reverter na justiça a derrota parcial provocada pela liminar que livrou o presidente provisoriamente do que ele próprio chama de “golpe”. Aliás, o áudio que acompanha o texto dá como quase certa a vitória no mérito da ação.
 
Do outro lado, Samir e seus conselheiros chegam até a fazer postagens nas redes sociais, profetizando que “a verdade prevalecerá” também quando vier a segunda canetada.
 
Veremos qual das bravatas se materializará em forma de sentença...
 
O julgamento que todos aguardam poderá durar até um ano (ou mais), dependendo do juiz e dos advogados que atuam no caso. E pode se arrastar pois mais tempo ainda, já que, depois da comarca local, restariam três instâncias nas quais ele pode ser discutido. Até o desfecho, todos os envolvidos já podem estar ocupando novos cargos e até posições mais altas na política, como prefeito, deputado, senador... mas alguns também podem até já ter desencarnado. Deus decide!
 
A rigor, não há nada de errado em políticos, principalmente estando em maioria, quererem fazer valer a regra fundamental da democracia, que é justamente a prevalência da vontade majoritária. Mas existe a lei, e ela vale para Tabalipa, o presidente que foi sem nunca ter sido, e Samir, que caiu, levantou e está esperando a próxima pernada. Quando o martelo for batido definitivamente, ficará claro quem manda. E sabe-se lá qual dos dois terá razão.
 
Resolvi escrever sobre o assunto em forma de opinião porque, ironicamente, não tenho nenhuma opinião formada e acho que todos estão no direito de buscar, pelos meios legais, aquilo que entendem ser o correto. Porém, existem regras: Samir tomou um vareio no jogo parlamentar, mas o VAR da juíza Kelma Vilela de Oliveira, titular da 2ª Civel de Vilhena reviu o lance e anulou a jogada. A partida segue rolando, por enquanto no zero a zero.
 
Revelo aqui, a quem interessar possa, o tamanho do meu dilema: tratado com o maior carinho pelas mães de Tabalipa e Samir, duas mulheres incríveis, gostaria muito que nenhuma delas chorasse pelo infortúnio do filho que vier a se lascar nesta refrega insana. Estarei em jejum e oração por esse livramento para ambas.
 
Agora, já que não vou acalentar o sonho de ninguém, e muito menos tentar usar meus limitados conhecimentos jurídicos para dar esperança a qualquer dos lados desta encrenca, peço apenas aos nossos representantes políticos: trabalhem pela cidade enquanto se pegam na justiça. Uma coisa não tem nada a ver com a outra...
 
E Vossas Excelências nem precisam vir a público toda hora atualizar o povo sobre os lances e estratégias usadas no silêncio dos escritórios de advocacia. Sejam tão discretos nisso quando o são para tentar esconder as generosas diárias que os senhores torram para viajar, alegando que estão “a serviço do povo”.
 
Pode ficar combinado assim?
 
*DIMAS FERREIRA é editor do FOLHA DO SUL ON LINE