Cidade que tem mulheres ocupando postos de destaque na política, no Judiciário, no Ministério Público, na polícia, em empresas privadas e como profissionais liberais, Vilhena padece de um problema que atinge diretamente o público feminino: a falta de um mamógrafo, aparelho essencial na realização de exames preventivos de câncer do seio.
A situação já rendeu discussões acaloradas: recentemente, a esposa de um vereador torpedeou uma campanha liderada pela primeira-dama da cidade, batizada de “Outubro Rosa”, alegando que a iniciativa não ajudaria a combater a doença sem o equipamento, cuja falta também já foi tema de uma reportagem do G1, portal de notícias da Rede Globo.
Da tribuna da Câmara, a vereadora Maria José da Farmácia (PDT), mais votada na última eleição e que, como o próprio sobrenome revela, é ligada à área de saúde, também trombeteia contra o fato de o único mamógrafo da cidade estar quebrado há quase dois meses.
Diante de tantas iniciativas e cobranças que surtem pouco (ou nenhum) efeito junto às autoridades, talvez fosse o caso de as vilhenenses se mobilizarem numa campanha como a que foi desencadeada na cidade argentina de Villa la Angostura. Lá, as mulheres tiraram a roupa e posaram para um calendário adulto, destinando a renda da ousada iniciativa à compra de um mamógrafo para o hospital público local (leia sobre o assunto clicando aqui: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-coragem-das-argentinas-que-posaram-nuas-para-financiar-o-mamografo-de-um-hospital-publico/)
Antes que alguém aponte sem-vergonhice na sugestão, é bom explicar: a eventual adesão das vilhenenses à empreitada não se limitaria a poses sensuais num ensaio fotográfico. Mais que uma mobilização popular, significaria uma oportunidade para que as próprias mulheres também se despissem de seus preconceitos: assim, como as argentinas, as modelos nativas poderiam ser até mesmo mutiladas.
Claro que a idéia pode parecer radical à primeira vista, e haveria quem, com justa razão, argumentasse: por que as mulheres deveriam se submeter a isso se a culpa pela falta do equipamento é das autoridades, essencialmente masculinas?
Afora questão morais, religiosas e estéticas, no entanto, não existe maneira mais eficiente para chamar a atenção para uma causa tão urgente. Claro que as manifestantes poderiam usar outros meios de reinvindicar o aparelho, como feijoada beneficente e protestos na casa de autoridades ligadas à saúde. Porém, seria só mais uma mobilização popular, como tantas que vêm sendo ignoradas.

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