*Dimas Ferreira
 

Anular o voto é uma forma legítima de protesto, tanto que a todos os eleitores é dada a oportunidade de assim agir, segundo os ditames de suas consciências. Há também quem, por motivos religiosos, só compareça por obrigação às urnas, onde a única escolha feita é não escolher ninguém.
 
Ultimamente tem sido comum encontrar, nas redes sociais em grupos do WhatsApp, pessoas que demonstram certo orgulho de apertar botões apenas para ignorar todos os nomes colocados à sua disposição.  Menos mal: agora, com a nova tecnologia usada nas eleições, ninguém mais pode escrever mensagens desaforadas nas cédulas. A revolta fica só na anulação silenciosa mesmo...
 
Entre os que abrem mão voluntariamente de exercer sua cidadania, há um misto de descrença e indignação. É gente que acredita que “os políticos são todos ladrões” e “nada vai mudar”. Desse modo, argumentam, pelo menos não estarão ajudando a colocar “bandidos no poder”.
 
Completo equívoco: os maus políticos se aproveitam justamente da omissão dos revoltados e acabam se elegendo ao subornar os que que aceitam negociar  seus votos. Para esses, quanto mais gente preferindo ignorar as escolhas, tanto melhor...
 
Aos 54 anos, e tendo votado em todos os pleitos de 1986 pra cá, já fiz boas e más escolhas. Tentei corrigir o equívoco na disputa seguinte, e jamais acreditei que estaria sendo cúmplice de malandros. Se errei (e de fato errei) foi na tentativa de acertar. Nenhum arrependimento, afinal, ser enganado pode ser constrangedor, porém o erro maior é de quem nos ilude.
 
Vilhena terá, neste ano, segundo se projeta, perto de 200 homens e mulheres disputando vagas na Câmara de Vereadores. Não é possível que, em meio a tanta gente, não haja ao menos meia dúzia que mereça o nosso voto. É muito melhor escolher um candidato que pareça o menos pior do que não votar em ninguém só pelo prazer de se gabar de um gesto sem o menor efeito prático. Quer dizer, se tem efeito, é danoso para todos, inclusive para os que votam conscientemente.
 
Não sugiro nomes de ninguém, que fique claro, pois considero que, a partir dos 16 anos, qualquer pessoa que não seja doida é capaz de fazer esse tipo de escolha. Estou apenas recomendando o que costumo praticar, e com orgulho!
 
Vote, minha gente... de preferência sem cobrar por isso. A dignidade não tem preço. Como diria o lendário Barão de Itararé: “o homem que se vende recebe sempre mais do que vale”.
 
 *Dimas Ferreira é editor do FOLHA DO SUL ON LINE