*Dimas Ferreira
 
Testemunha ocular de 8 das 10 eleições para prefeito já realizadas em Vilhena desde 1982, este modesto comunicador tem alguma autoridade para afirmar: a política na maior cidade do Cone Sul de Rondônia é movida a rancor. E isso fica ainda mais evidente quando se lembra que os três últimos pleitos municipais foram disputados de forma acirrada pelos mesmos dois candidatos.
 
Em 2018, a então prefeita Rosani Donadon, que havia vencido a disputa de dois anos antes, desembarcava desanimada no aeroporto de Vilhena, vindo de Brasília. Estava abatida e chegou às lágrimas, ao anunciar que havia perdido seu último recurso no TSE e teria que entregar o cargo.
 
Alheios ao sofrimento da mulher, a primeira a administrar Vilhena, os adversários foram ao limite da crueldade, explorando o choro de Rosani, transformando-o em meme para comemorar a cassação dela.
 
A prefeita foi para as eleições seguintes e, compreensivelmente, acabou derrotada, com seus infortúnios na Justiça Eleitoral sendo usados como munição de campanha.
 
Pois, neste momento, os que celebravam a desgraça da prefeita há pouco mais de três anos, estão tendo que enfrentar a frase amarga dos adversários: “quem planta colhe”!
 
Agora ele próprio alvo da zoação que seus aliados impuseram à adversária, o prefeito Eduardo Japonês ainda se agarra a um fio de esperança: reverter no TSE a perda do mandato determinada ontem pelo TRE, que lhe impôs a condenação mais dura, acusando-o de usar a máquina pública para se dar bem nas urnas em 2020.
 
Bem medido e bem pesado, o castigo para Rosani e Japonês foi a resposta (duríssima para ambos) por suas respectivas condutas: ela, por entrar na eleição de 2016 sabendo dos riscos de concorrer sem estar apta; ele, por usar, em 2020, o cargo que ocupa para se beneficiar do que acreditava que passaria despercebido.
 
Mas, o que chama a atenção é justamente o detalhe mais irônico: a euforia de ambos (ou, pelo menos, de grande parte de seus aliados) diante da desgraça do oponente. É como se dor e a humilhação pública do rival fossem mais saborosas do que a vitória para si mesmo. Surreal...
 
Até mesmo um personagem que deveria ser deixado fora da política mundana foi enfiado no meio da bagunça pelos que parecem sentir enorme prazer no tropeço do outro: Deus, sinônimo de amor e empatia, ora, vejam só... é o argumento para destilar ódio e malquerença!
 
Quando Rosani despencou de sua cadeira, aliados de Eduardo argumentaram que ela, sendo evangélica, estava sendo punida por sua esperteza pela Providência Divina.
 
Agora, que Japonês está na metade da queda, seus algozes também se lembram dEle, a quem atribuem o castigo imposto ao responsável pela maldade anterior.
 
Obviamente, Deus não tem nada a ver com os julgamentos do TRE ou do TSE, onde toda a encrenca irá inevitavelmente desembocar.
 
Mas Ele, pessoalmente, irá julgar os dois prefeitos e seus aliados pela maldade explícita que praticam. E também por usar Seu Santo nome em vão. E se preparem porque, neste caso, não cabe recurso!
 
Para os envolvidos nesse “mata-esfola”, não tem nada de errado em tripudiar sobre o derrotado. “A política é assim mesmo”, resumem os que defendem o linchamento -desde que seja do outro!
 
E, de ambos os lados deste pingue-pongue, a avaliação majoritária é: não importa que a cidade se lasque, as cassações foram positivas, pois tiraram “corruptos do poder”. E sigamos ladeira abaixo!
 
 *Dimas Ferreira é advogado e editor do FOLHA DO SUL ON LINE.