Desde o dia primeiro de maio, Vilhena serve como base de uma operação conjunta entre o Exército, a Polícia Civil, Federal, Rodoviária Federal, Ambiental e Militar para coibir o tráfico de drogas. A operação visa tanto patrulhar a região desde o Acre até parte do Mato Grosso, quanto realizar trabalho Aciso (Ações Cívico-sociais) junto às comunidades rurais e ribeirinhas que não dispõem de estrutura para serviços de saúde básica.
De acordo com o responsável pela operação, Coronel Rui Vaz Barbosa, o Coronel Barbosa, a operação tem dois objetivos principais: “Combater os ilícitos fronteiriços e realizar patrulha e vigilância na região que vai desde o Acre até a cidade de Pontes e Lacerda, no Mato Grosso, o que chamamos de braço forte do exército”. As regiões beneficiadas são Pimenteiras, Cabixi, Corumbiara, até Laranjeiras, começando por Porto Rolim.
O Terceiro Batalhão de Polícia Militar, sob a responsabilidade do Comandante Gonçalves, também participa da operação: “Estamos junto do exército, que veio somar os efetivos às fiscalizações de rotina. Daremos apoio com embarcações do batalhão para a parte fluvial da fiscalização, e também utilizamos o GOE (grupo de operações especiais) do batalhão na operação. Temos também o apoio da Polícia Ambiental, que fiscalizará a parte agrária, como madeira ilegal”, salienta o comandante, e explica que a área de atuação do batalhão envolve o Cone Sul, de Vilhena a Pimenteiras. O comandante deixa claro que não somente as drogas e armas estão na mira: tudo o que for irregular será apreendido, até mesmo documentos de veículos, e continua o uso do bafômetro para os motoristas que cruzarem a fronteira entre RO e MT. Segue também a operação Paz no Campo, em atuação há mais de dois meses.
De acordo com o chefe da Polícia Rodoviária Federal, João Paulo Lobato, a importância da operação se deve à localização estratégica da cidade de Vilhena: “Aqui é um corredor de drogas, ou seja, boa parte da droga que abastece cidades como São Paulo e Rio de Janeiro passa por aqui. Estamos patrulhando para maior segurança dos usuários da rodovia, pois se trata de uma faixa de fronteira muito visada”. A localização de Vilhena permite que o Exército tenha poder de Polícia, pois as áreas a até 150 km em linha reta a partir da fronteira são de responsabilidade militar. Segundo o comandante do BPM, a cidade está a cerca de 126 km da Bolívia, portanto, a área a ser vistoriada pelo Exército vai até Pontes e Lacerda, no Mato Grosso.
O prefeito Zé Rover também esteve presente na coletiva de imprensa do lançamento oficial da operação e falou à reportagem da FOLHA DO SUL ONLINE: “Essa operação vem para inibir o tráfico e a violência na cidade. Já se sente a diferença, foram apreendidas drogas no Acre. Inclusive, o Exército realizará medições topográficas na região da Cooperfrutas para que se estabeleça uma base fixa do Exército nesta região perto do Mato Grosso”. O prefeito deixa claro que os moradores da região não devem se preocupar, pois algumas propriedades já foram cadastradas e que a área a ser utilizada pelo exército é uma reserva de mata. O levantamento topográfico servirá para que a Caixa Econômica Federal realizar permuta entre terrenos, e também para regularizar as terras da União nos arredores do município. “Os proprietários que já foram cadastrados não devem se preocupar”, garante o prefeito.
A operação Curare não tem data para término e prevê vigilância na BR 174 e em todas as vias que fazem ligação com as saídas da cidade, para coibir desde infrações de trânsito até tráfico de drogas e armas. Nos próximos dias, todo veículo que entrar ou sair de Vilhena será vistoriado.