Mais de 120 pais já deixaram de registrar seus filhos somente em 2025, veja histórico comparado a outras cidades
Um levantamento detalhado da FOLHA sobre os registros de nascimentos em Vilhena aponta para uma transformação preocupante na estrutura familiar do município ao longo da última década. Entre 2016 e 2025, a quantidade de crianças registradas sem o nome do pai na certidão de nascimento dobrou, saindo de 59 casos anuais para 121 no ano corrente. Isso significa que, até 11 de dezembro, 6,7% dos 1.812 novos vilhenenses nascidos até então vieram ao mundo sem o reconhecimento paterno. Em 2016 essa porcentagem era de 3,4%.
Em números absolutos, na última década (2016-2025), 1.067 crianças em Vilhena iniciaram a vida apenas com o nome da mãe no registro. Isso gerou uma média de 6,1% de abandono paterno ao nascer no período, que registrou 17.455 nascimentos na cidade.
O pico crítico ocorreu no pós-pandemia, em 2022, quando o município atingiu a marca de 8% de ausência paterna — o maior índice da década, com 133 crianças não reconhecidas naquele ano dentre as 1.658 nascidas.
Ao comparar os dados de Vilhena com outras localidades, o cenário se mostra complexo. O índice atual de Vilhena (6,68%) é muito próximo ao de Ji-Paraná (6,88%) e está ligeiramente abaixo da média nacional do Brasil (6,94%).
No entanto, quando olhamos para a região vizinha, Cacoal apresenta um desempenho social significativamente melhor, com apenas 5,35% de pais ausentes, demonstrando que é possível ter índices menores dentro do mesmo contexto regional. Ariquemes também se sai melhor que Vilhena, com índice de 6,06% em 2025.
Por outro lado, a situação de Vilhena é muito menos dramática que a da capital. Porto Velho vive uma crise de paternidade muito mais aguda, com 11,07% de pais ausentes, o que puxa a média de Rondônia para 7,61% — acima da média nacional.
Os dados indicam que o abandono paterno é um problema crônico em toda a Região Norte, que possui a pior média apresentada na tabela (9,02%). Embora Vilhena esteja abaixo dessa linha crítica regional, a tendência de crescimento de 100% no número absoluto de casos em dez anos (de 59 para 121) exige atenção, visto que, se mantida a elevação proporcional do abandono em Vilhena, nas próximas duas décadas Vilhena terá índice maior que a média nacional atual.
Resumo dos Indicadores
Vilhena: 6,68% de pais ausentes
Cacoal: 5,35%
Ariquemes: 6,06%
Ji-Paraná: 6,88%
Porto Velho: 11,07%
Rondônia: 7,61% (Média estadual)
Brasil: 6,94% (Média nacional)
Fotos
Autor:
Da Redação (Fotos: Reprodução / IA)
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 17 de Dezembro de 2025, às 09:13