Quando chegou à Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre (RS), para participar de um debate sobre educação e tecnologia no último fim de semana, Isadora Faber não escondia o cansaço. Na sexta-feira ela estava em São Paulo, onde palestrou em uma feira internacional sobre educação, e no sábado teve de acordar cedo para embarcar rumo à capital gaúcha. Mas a menina que aos 13 anos se tornou conhecida em todo o País ao criar uma página no Facebook para denunciar os problemas na escola onde estuda, em Florianópolis (SC), está sabendo aproveitar o sucesso que o Diário de Classe lhe rendeu.

Isadora Faber conversou com o Terra em um café da Casa de Cultura na companhia da mãe, Mel, que não desgruda da caçula em todos os eventos que a nova rotina da família demanda. As duas contaram sobre os planos para o futuro - como o livro que Isadora está escrevendo e deve ser lançado até o fim deste ano - e a ideia de transformar o sucesso do Diário de Classe na internet em algo "real", que represente uma mudança na vida de estudantes. "Vamos criar uma ONG, né mãe?", disse a menina. Tímida, ela prefere deixar para Mel a tarefa de explicar os desafios que vêm pela frente.

"Tudo o que a Isadora fez até agora foi de forma virtual. Agora está na hora de ampliar, de dar uma ajuda real a todos os estudantes que enviam mensagens contando os problemas das escolas onde estudam", disse a mãe ao afirmar que a filha recebe milhares de mensagens por mês com denúncias de problemas em instituições de ensino País afora. Ela contou que a ideia é conferir todos os casos, tirar fotos, fazer vídeos e publicar tudo na internet com o objetivo de captar recursos junto a empresas para resolver os problemas.

"Nós queremos deixar o leque bem aberto. Pode ser desde a reforma de um prédio, até a compra de computadores e a capacitação para os professores sobre como usar a tecnologia", afirmou Mel. O plano é que o Diário de Classe seja usado para divulgar esse trabalho. Um site da ONG também deve ser criado.