A iluminação é característica marcante e sempre guiou as direções cenográficas do teatro. Mas, recentemente, uma das formas mais clássicas da expressão artística se rendeu às novidades da tecnologia e inovou com projeções em altíssima definição. Resumindo: a arte digital foi parar nos palcos de óperas; o resultado é uma combinação ainda mais harmoniosa entre arte e tecnologia.
"A novidade acaba sendo na interatividade. É a possibilidade da gente controlar as animações conforme o andamento do espetáculo. Você tem atores reações junto de animações", comentou Binho Dias, diretor de vídeo mapping.
Esta é a novidade: além da música, das luzes e dos atores, um novo elemento entra em cena. As projeções e animações servem como pano de fundo para criar um cenário ou até interagem com os personagens da trama.
Em uma das cenas da ópera "O Menino e os Sortilégios", que venceu a última edição do Prêmio Carlos Gomes, a atriz contracena com a sombra da mãe; a projeção mapeada ganha proporções do tamanho da ira da mulher!
Em outro momento, o incêndio que toma conta do palco também é representado através de projeções em alta definição. E não para por aí; durantetodo o espetáculo, animações completam a cenografia e deixam a ópera ainda mais fascinante.
Aqui em São Paulo, fomos ao Teatro Municipal acompanhar o “making of” da consagrada ópera Pelléas et Mélisande, de Claude Debussy. À frente da direção cênica da obra, Iacov Hillel recorreu à tecnologia para criar um cenário virtual subjetivo. A história clássica ganhou elementos modernos com 15 projeções diferentes distribuídas em dois planos diferente: o primeiro, ao fundo, com 12 metros de largura e, ao centro, outro com oito metros de diâmetro. As projeções combinadas dão uma verdadeira sensação de tridimensionalidade à plateia.
As projeções escolhidas para a ópera são detalhes retirados das telas do pintor expressionista Claude Monet; elas compõem o cenário minimalista idealizado a partir da luz.
"Queria criar com estes detalhes os ambientes que a ópera se passa", comentaIacov Hillel, diretor cênico da ópera.
Para quem ainda não conhece a técnica, o “Mapping 3D” consiste em projetar uma imagem em uma superfície e através de um software, processar o mapeamento dos pontos que cobrem seus detalhes. Assim, é possível projetar imagens independentes em cada área, que quando combinadas criam ilusões, ou sobressaltam a forma existente.
Usando a criatividade como principal combustível de seu trabalho, Binho agora estuda o uso de câmeras com sensores de profundidade e câmeras de infravermelho para deixar a interação entre atores e animações ainda mais interessante.
A novidade em cima dos palcos está perto de virar tendência no teatro. Cada vez mais diretores descobrem quanto a tecnologia pode agregar às suas obras. Se você gosta do assunto, no link você encontra outra matéria que mostra como as festas e baladas também estão ficando mais tecnológicas com luzes, som e até projeções em 3D.
veja:http://www.youtube.com/watch?v=SX2Gd-kqV5s