Maria Aparecida Machado Marques chegou transferida de Pontes e Lacerda (MT)
O Hospital Regional de Vilhena viveu ontem mais um momento de profunda emoção e solidariedade. A paciente Maria Aparecida Machado Marques, de 58 anos, natural de Pontes e Lacerda (MT), teve morte encefálica oficializada após seis dias de internação em decorrência de um AVC hemorrágico repentino.
Viúva há cinco anos, mãe de Mesac e Norma, avó de seis netos e bisavó de dois, Maria havia iniciado recentemente uma união estável. Sua trajetória foi marcada pela luta contra a hipertensão, mas também por laços familiares fortes e pela generosidade que se perpetuou até o último instante.
Maria foi inicialmente transferida da cidade mato-grossense para a UTI do Hospital Cooperar, já com intubação orotraqueal. Lá, foi avaliada pelo médico Diogo R. L. Iglesias- Intensivista RT da UTI. Foi ele quem identificou a provável morte encefálica e acionou a CIHDOTT — Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante.
A coordenação da comissão do Hospital Regional deslocou-se até o Cooperar, onde, sob supervisão da OPO/CET-RO, foi iniciado o protocolo de morte encefálica. Após a conclusão, na tarde de ontem, a paciente foi transferida para o Regional, onde o procedimento cirúrgico de captação pôde ser realizado pelo SUS.
Com respeito e gratidão, uma equipe especializada vinda de Manaus (AM) realizou a cirurgia com o auxílio de uma grande equipe do HRV, que se estendeu por quase quatro horas e terminou às 22h. O fígado de Maria foi destinado a um paciente que aguardava ansiosamente na capital amazonense, em um procedimento viabilizado pela Força Aérea Brasileira, que trouxe os profissionais e garantiu o transporte rápido do órgão. A cirurgia foi realizada no centro cirúrgico do Regional, com a atuação constante da equipe do CIHDOTT, coordenada pela psicóloga Elizabeth.
O filho Mesac relatou que a mãe vivia um momento muito feliz da vida, com estabilidade social, financeira e familiar. “Parecia até uma despedida. Foi uma fatalidade que nos deixou sem chão, mas também nos fez compreender a esperança de quem aguarda por um transplante. Infelizmente não pudemos tê-la de volta, mas somos gratos a Deus e ao trabalho de todos os envolvidos, porque através dela outras famílias terão esperança”, disse emocionado.
A filha Norma lembrou que Maria sempre dizia ser feliz com os filhos pelo apoio e pela liberdade que lhe davam em sua vida amorosa. “Ela não se preocupava com o futuro dos filhos após sua partida, porque sabia que a união permaneceria entre nós. Também dizia que a memória dela e do nosso pai seria eterna, e que as crianças da família teriam histórias contadas em livros infantis sobre nossa trajetória”.
Norma destacou ainda que Maria participaria do lançamento de uma obra infantil em junho, pela Umanos Editora de Cuiabá (MT), cuja dedicatória seria para ela. Em breve, será lançado também um livro infantil para o ensino fundamental, com o tema central da doação de órgãos, intitulado “O coração da vovó Maria”.
O filho Mesac e a nora Aliane acompanharam a saída do fígado até o aeroporto, em silêncio, conscientes da importância do gesto. Para eles, a doadora cumpriu sua missão, deixando como legado a generosidade e a certeza de que sua partida significou vida para outro ser humano.
Nos últimos anos, o Hospital Regional de Vilhena tem se destacado como referência nacional em captação de órgãos, graças ao trabalho estruturado do CIHDOTT e ao engajamento das equipes médicas e multiprofissionais e à estrutura oferecida pela gestão da Santa Casa. A história de Maria Aparecida é mais um capítulo que confirma esse protagonismo e mostra que, mesmo diante da morte, é possível gerar vida e esperança.
Fotos
Autor:
Paulo Mendes - assessoria de comunicação/Grupo Chavantes
Fonte:
Foto: Divulgação
Publicado em 20 de Março de 2026, às 11:23