Em Porto Velho, as 1,5 mil famílias desabrigadas por causa da cheia histórica do Rio Madeira, e que estão morando há mais de dois meses em escolas da rede pública de ensino, já começaram a organizar a mudança para o Abrigo Único, localizado no Parque dos Tanques, em Porto Velho. A desocupação das escolas está prevista para iniciar nesta quinta-feira (10). Na Escola Estadual Castelo Branco, as opiniões entre as famílias estão divididas. Quatro delas devem optar pelo auxílio moradia, no valor de R$180, outras dizem que vão sair sem causar transtornos, mas a maioria ainda afirma que vai resistir deixar as escolas para morar nas barracas.

O Rio Madeira vem apresentando sinais de baixa nos últimos dias, e na tarde desta quarta atingiu a cota de 19,46 metros. O maior nível registrado ocorreu no dia 30 de março, com a marca de 19,74 metros. Além das 1,5 mil famílias desabrigadas, outras 3,5 estão desalojadas. Os dados são da Agência Nacional de Águas (ANA) e Defesa Civil.

A desabrigada do Bairro Balsa, Antônia Ribeiro de Freitas, de 37 anos, afirma que gostaria de alugar um imóvel, mas que o valor do auxílio é muito baixo. “Não posso assumir uma despesa de aluguel e contas. Tínhamos um bar onde a água já chegou ao telhado. Era nosso ganha pão. Não vou fazer confusão pra sair, pois as aulas tem que voltar. É uma situação passageira, se Deus quiser. Se a polícia for chamada teremos que sair à força e será pior, as crianças vão ficar assustadas”, disse Antônia.

Quando questionada sobre o que espera da vida no Abrigo Único, ela diz que vai fazer o possível para ajudar a todos. “Me preocupo com a convivência nos espaços de uso comum, mas se cada um tiver consciência de manter limpo, já é uma grande coisa. Não gosto de sujeira e aqui na escola também já ajudei na cozinha, quando as refeições eram feitas coletivamente”, disse Antônia.