Um estudo feito pelo Ministério Público de Vilhena, através de denúncia apresentada por um profissional da área de informática e eletrônica, mostrou que os para-raios radioativos instalados na cidade representam ameaça ao meio ambiente e à saúde da população. Apesar do risco, o órgão ainda não adotou nenhuma medida para retirar os equipamentos, a maioria instalada em escolas e órgãos públicos.
Esse tipo de para-raios é perigoso, justamente porque contém material radioativo, tanto é que o Governo Federal proibiu, há vários anos, sua implantação em todo o país. No entanto, os que já haviam sido instalados não foram retirados.
Os para-raios radioativos surgiram nos anos 70 com alternativa de substituição dos equipamentos convencionais. Nos anos 80 começaram a surgir dúvidas quanto a eficácia desses equipamentos, uma vez que eles protegiam praticamente a mesma área que os para-raios convencionais, mas com um tempo de vida útil bem inferior. Estudos demonstraram que a falta de controle sobre o uso da substância que compõe o para-raio radioativo, aliada à desinformação do público usuário do produto, poderiam levar a desastres ambientais.
Com base no levantamento do MP vilhenense, a Promotoria da cidade de Alvorada do Oeste resolveu agir: a promotora Jaqueline Conesuque Gurgel do Amaral notificou o Estado de Rondônia, responsável por algumas escolas na cidade, além do responsável pelo Armazém de Cereais Cagero e a diretoria da Companhia de Esgotos e Abastecimento de Água de Rondônia (CAERD) para que no prazo de 60 dias, contratem empresa idônea e capacitada para retirar os para-raios radioativos existentes nesses locais, com ficou constatado por diligências realizadas.
Outra cidade que também adotou medidas para eliminar os pára-raios radioativos foi Costa Marques. Lá, o Ministério Público instaurou Procedimento Investigatório Preliminar para averiguar a existência e localização dos equipamentos, bem como para apurar a retirada deles por empresa idônea, sem causar danos ao meio ambiente e à saúde.
A medida foi proposta pelo Promotor de Justiça Roosevelt Queiroz Costa Júnior em decorrência de informações de que para-raios radioativos foram proibidos pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CEN), desde 1989, em razão de oferecerem riscos ao ambiente e à saúde.
Em Costa Marques, foram encontrados para-raios radioativos no Hospital Municipal, na unidade da Polícia Militar e na Escola Angelina dos Anjos. Há informações de que existem equipamentos em outros pontos da cidade.
O MP de Vilhena, que deu início aos estudos sobre os riscos que representam os equipamentos radioativos, ainda não se pronunciou sobre o caso.