Promotor de justiça quer que os acusados sejam levados a júri popular
Foi apresentada esta semana, pelo Ministério Público, a denúncia contra três dos acusados de envolvimento no assassinato do dentista Clei Bagattini. O profissional liberal foi executado a tiros no dia 12 de julho, dentro de sua clínica odontológica na região central de Vilhena.
Após o homicídio, que teria sido “encomendado”, a Polícia Civil cumpriu mandados na casa do suposto contratante, que não foi indiciado. Os delegados que comandam as investigações falaram à imprensa e disseram que mais pessoas serão alvos na próxima fase do inquérito policial que apura detalhes do caso (ENTENDA AQUI).
O FOLHA DO SUL ON LINE apurou que o MP fez a denúncia para que os três acusados sejam “pronunciados”, ou seja, sejam levados a júri popular. Os três apontados como componentes da organização que, segundo o MP planejou e levou a cabo a ação de “pistolagem”, são: Maico da Silva Raimundo, que puxou o gatilho e está foragido; Maikon Sega Araújo, que contratou o matador supostamente a pedido de outra pessoa; e Raqueline Leme Machado, namorada de Sega.
A denúncia revela que Maico Raimundo marcou horário duas vezes na clínica de Clei, a última delas no dia anterior ao crime, quando agendou a consulta usando o nome falso de Michel dos Santos Oltoni. Raqueline, que trabalhava como recepcionista em uma clínica médica, também marcou horário para o dia do assassinato, o que segundo a polícia e o MP, seria o “Plano B”, para o caso de a primeira tentativa de matar dentista falhar.
A denúncia também aponta que, após o “serviço” ser consumado, o casal de namorados (Raqueline e Sega) foi para a zona rural de Colorado do Oeste. Ali os dois acabaram presos na casa de parentes dele. Raqueline teria supostamente dado informações sobre o crime, mas sem assinar a confissão, o que a tornou sem validade. Ela nega que tenha dado qualquer depoimento formal ou informal, e inclusive alega que foi torturada para prestar informações sobre o crime. A defesa da acusada confirmou que o exame de corpo de delito deu compatível com as agressões que ela alega ter sofrido durante sua prisão.
Embora exista uma pistola da marca Taurus registrada em nome de Raqueline, ainda não há confirmação de que teria sido esta a arma usada para executar Bagattini, que sofreu várias perfurações na região da cabeça, provocadas pelas balas da pistola 9 mm de uso restrito, e que não foi encontrada até agora -aparentemente, o armamento segue em poder do pistoleiro.
A denúncia também fala de um suposto churrasco no qual a morte teria sido tramada. O evento aconteceu em uma chácara na Linha 2, nos arredores da cidade, onde mora um homem que chegou a ser preso como suspeito de ter participado do crime. Ele acabou solto e não consta da denúncia apresentada pelo MP, mas seu nome deve entrar na próxima fase do inquérito.
A peça do Ministério Público diz que foi nessa propriedade que Maikon Sega, o suposto contratante, teria trocado a motocicleta usada no crime por uma outra, uma Honda XRE, com a qual o assassino fugiu da cidade. O veículo teria sido dado como parte do pagamento pelo “serviço” contratado.
Em nenhum momento da denúncia, embora o assassinato seja tratado como “crime de mando”, o suposto contratante tem seu nome mencionado. Também não há qualquer referência à motivação -nos bastidores da investigação, embora nenhuma autoridade confirme, ventila-se um possível “crime passional”.
Encarregados de defender Raqueline, os advogados Jacier Dias e Isaque Donadon estiveram na redação do FOLHA DO SUL ON LINE, mas preferiram rebater por escrito, as acusações feitas pelo MP. CONFIRA ABAIXO, na íntegra:
Em relação às recentes acusações que envolvem Raqueline Leme Machado, a qual fora indevidamente apontada como partícipe do homicídio que ocorreu na data de 12/07/2024, que vitimou a pessoa de Clei Bagattini, é fundamental esclarecer alguns pontos que evidenciam a fragilidade e a injustiça da acusação.
É importante esclarecer que Raqueline foi alvo de uma acusação infundada, que se baseou no fato de que ela mantinha relação afetiva com um dos supostos envolvidos no crime, bem como por ter estado presente em um evento social que, na verdade, era uma celebração do aniversário de sua própria filha, um ambiente exclusivamente familiar. Portanto, é importante ressaltar que este evento ocorreu na casa de amigos íntimos do seu namorado e não guarda qualquer ligação com o planejamento ou execução do crime que injustamente está sendo atribuído à Raqueline.
É evidente que a acusação que pesa contra Raqueline se configura como uma tentativa de desviar o foco dos verdadeiros responsáveis pelo crime, utilizando-a como um “boi de piranha” a fim de passar uma falsa sensação de justiça à sociedade. Essa prática não apenas compromete a presunção de inocência de Raqueline (princípio fundamental do Estado de Direito), mas também revela a ineficiência da investigação em identificar os reais responsáveis pela empreitada criminosa. Além do mais, o executor do crime encontra-se foragido, e movimentou mais de 250 policiais em sua captura, porém, não obtiveram êxito, mostrando-se mais uma vez a incapacidade e fragilidade por parte do estado no que diz respeito à segurança pública neste caso específico.
A defesa reitera que Raqueline não possui qualquer envolvimento com os fatos que lhe são imputados e que sua prisão é uma manobra que visa atender à pressão social por respostas rápidas, em detrimento da busca pela verdade. É imprescindível que as autoridades competentes conduzam uma investigação minuciosa, imparcial e no mínimo eficiente, a fim de garantir que os verdadeiros responsáveis e culpados sejam responsabilizados por seus atos.
É importante ainda mencionar que acreditamos na verdadeira justiça, e também na necessidade de que todos os envolvidos sejam tratados com equidade, respeitando, sobretudo, os direitos e garantias fundamentais da nossa cliente.
Atenciosamente,
Jacier Rosa Dias
Isaque Donadon Gardini
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 13 de Outubro de 2024, às 07:52