Nascida em 1918, Dona Maria Deolinda Guimarães atravessou gerações e estados brasileiros antes de se estabelecer em Rondônia
 
Familiares e amigos despediram-se, nesta quinta-feira, 18, de Maria Deolinda Guimarães, uma das moradoras mais longevas do município de Corumbiara. Aos 107 anos, Dona Maria faleceu após uma trajetória marcada pela superação e pela dedicação à família. O sepultamento foi realizado no final da tarde, no Cemitério Municipal da cidade.
 
Em entrevista à reportagem do FOLHA, uma das filhas de Dona Maria relembrou a jornada da mãe, que começou no Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1918. Após a infância em solo carioca, a família mudou-se para o Paraná, estado onde ela casou-se pela primeira vez e teve os quatro primeiros filhos, um deles faleceu precocemente.
 
A trajetória migratória continuou em direção ao Espírito Santo. Foi neste período que Dona Maria enfrentou a primeira viuvez, vendo-se sozinha com três crianças pequenas. Para garantir o sustento da casa, trabalhou na lavoura, atividade que exerceu por anos.
 
Posteriormente, em seu segundo casamento, teve outros sete filhos (sofrendo a perda de dois deles ainda na infância). Novamente viúva, Dona Maria manteve o compromisso de criar os oito filhos restantes, priorizando a união familiar e o trabalho árduo. E teve sucesso vendo os filhos chegarem a vida adulta e constituírem suas próprias famílias.
 
A mudança para Rondônia ocorreu tardiamente. Somente em 2014, aos 96 anos e após insistência das filhas, ela aceitou residir no estado. Segundo os familiares, o esforço dedicado por ela na juventude foi retribuído com cuidados e carinho durante a velhice.
 
Os conselhos de Dona Maria são lembrados como pilares morais pelos descendentes. Ela enfatizava a importância da fé, das boas companhias e, sobretudo, do valor do trabalho. A filha recorda uma frase recorrente da mãe: “Menino não pode ficar à toa. Se ficar à toa, inventa moda.”
 
Nos últimos dias, a centenária demonstrava serenidade diante do fim da vida. De acordo com o relato familiar, ela afirmava estar cansada e pronta para o descanso.
 
Dona Maria Deolinda Guimarães deixa um total de 11 filhos (8 vivos), 26 netos, 32 bisnetos e 8 trinetos, além de uma vivência de mais de um século que se confunde com as próprias mudanças históricas e sociais do Brasil.