A defesa do réu foi feita pelo advogado vilhenense Jacier R. Dias
 
Após uma longa e conturbada batalha judicial, o Tribunal de Justiça de Rondônia decidiu esta semana, por dois votos a um, pela absolvição de um vilhenense acusado de crimes gravíssimos, incluindo suposto estupro de vulnerável, lesão corporal e estupro marital.
 
O julgamento, que se arrastou por quase um ano, culminou em um desfecho que trouxe alívio à defesa do acusado e levantou debates sobre a fragilidade das provas em casos de crimes sexuais, onde a palavra da vítima é frequentemente considerada como elemento central.
 
O processo teve início com a condenação do réu a 22 anos e oito meses de reclusão, após ser considerado culpado pelo suposto crime de estupro marital (sexo forçado com a própria esposa) e lesão corporal. Em primeira instância, o réu já havia sido absolvido das acusações de estupro de vulnerável, envolvendo uma criança de apenas 8 meses, filha dele, e da ameaça.
 
A condenação gerou uma onda de questionamentos sobre a solidez das provas apresentadas durante o processo, que a defesa argumentou serem frágeis e surgidas em um contexto de desavenças conjugais e traições.
 
A votação no Tribunal de Justiça ocorreu em duas etapas. Na primeira, o resultado ficou empatado em um voto pela absolvição e outro pela manutenção da condenação. Um dos desembargadores solicitou um pedido de vista, e o processo foi pautado novamente 15 dias após.
 
Na segunda votação, faltava apenas o voto decisivo do desembargador que havia pedido vista, e ele de posicionou, após analisar o processo, pela absolvição do réu, resultando em uma decisão final de dois votos a um.
 
A decisão do Tribunal foi recebida com alívio pela defesa, mas também trouxe à tona discussões sobre a necessidade de provas consistentes para evitar condenações injustas. A jurisprudência tem enfatizado que a palavra da vítima deve ser corroborada por evidências robustas, especialmente em casos tão delicados quanto os crimes sexuais.
 
O caso ecoa episódios marcantes na história recente do Brasil, como os casos do jogador Neymar e do ex-jogador Daniel Alves, que enfrentaram acusações semelhantes e também resultaram em absolvições, ou não condenações, após rigorosas investigações.
 
A defesa do réu foi feita pelo advogado vilhenense Jacier R. Dias. Os crimes atribuídos ao acusado, que estava preso desde o ano passado, aconteceram quando ele, que hoje reside em Vilhena, morava na cidade de Colorado do Oeste. A ação tramita em segredo de justiça.