É bom avisar aos vilhenenenses que andam se mobilizando para fazer um abaixo-assinado contra a construção de um presídio próximo a áreas residenciais na cidade. Um promotor de São Paulo, ao analisar caso semelhante, considerou a atitude discriminatória e quer punir os autores da iniciativa.
Em Vilhena, tanto moradores de bairros próximos ao futuro estabelecimento prisional, quanto donos de terras no entorno da construção, apontam eventuais problemas de segurança para tentar barrar o complexo carcerário. É tanta polêmica envolvendo a casa de detenção que até agora as autoridades não chegaram a um acordo sobre o local mais adequado para a construção. O presídio, que custará R$ 13 milhões, será erguido com recursos do Estado.
Abaixo, a íntegra da reportagem que fala da ameaça de punição aos moradores de um bairro chique da capital paulista que fizeram uma mobilização para impedir a instalação de um albergue para moradores de rua na valorizada área residencial:
Albergue para moradores de rua causa polêmica em bairro paulistano
Moradores de Pinheiros resolveram mandar um abaixo-assinado para o Ministério Público pedindo que o promotor tomasse providências.
O endereço da polêmica fica em uma das regiões mais tradicionais de São Paulo, o bairro de Pinheiros. A prefeitura quer construir um albergue para moradores de rua, só que moradores do bairro estão reclamando. Eles resolveram mandar um abaixo-assinado para o Ministério Público pedindo que o promotor tomasse providências. O promotor tomou providências: quer processar os autores do abaixo-assinado.
O que fazer com os frequentadores de um albergue localizado em um dos bairros mais tradicionais de São Paulo? A prefeitura queria uma casa maior, na mesma rua, só que há dez quadras do albergue atual. Logo que souberam da troca de endereço, moradores e comerciantes procuraram o Ministério Público. O caso foi parar na polícia.
O prédio, que hoje é motivo de tanta discórdia entre o Ministério Público de São Paulo e alguns moradores de Pinheiros, é um imóvel alugado pela prefeitura. Antes funcionava um pensionato. Nas imagens, só é possível ver a fachada, mas é uma casa grande, que tem cerca de 30 dormitórios e está sendo reformada.
Na representação à promotoria, moradores e comerciantes alegam que o albergue irá provocar um impacto e tanto, que o comércio provavelmente não vai sobreviver, que a população será acuada e que vai ser difícil acabar com a insegurança, pois já houve ataques de cães de moradores de rua contra crianças e idosos. Eles também apontaram problemas no prédio.
“É imóvel hermeticamente fechado, com poucas aberturas para entrada de luz solar e com problemas de infiltração”, relatou o representante da Associação de Moradores e Comerciantes de Pinheiros Jose Henrique Pereira.
O promotor Maurício Lopes recusou o pedido. Respondeu que a representação é discriminatória, segregacionista e elitista. De provocar inveja em qualquer higienista social do Terceiro Reich, referência ao regime nazista de Adolf Hitler.
“É inaceitável que quando o poder público faz algo em prol dessas pessoas, a elite dessa cidade se oponha com argumentos tão preconceituosos”, disse o promotor de habitação e urbanismo da capital Mauricio Antonio Ribeiro Lopes.
“Em nenhum momento houve preconceito dos moradores nossa intenção era preservar os moradores de rua que utilizariam esse espaço que não é adequado”, respondeu o representante da Associação de Moradores e Comerciantes de Pinheiros Jose Henrique Pereira.
Essa não é a primeira polêmica envolvendo construções públicas em bairros ricos de São Paulo. Em maio, moradores de Higienópolis reclamaram da decisão do metrô de construir uma estação no local. Disseram que isso traria pessoas “estranhas” ao bairro. A direção do metrô decidiu mudar a estação de lugar, mas justificou dizendo que foi uma decisão técnica e que o novo local escolhido fica a apenas 140 metros do antigo.
No caso de Pinheiros, o promotor quer que os seis moradores que iniciaram o abaixo-assinado contra o albergue sejam enquadrados pela Justiça por intolerância social.