Uma parente da ex-embaladora Renata da Silva Rocha, de 26 anos, que virou notícia em todo o Estado, alegando ter engravidado pela segunda vez para salvar a filha mais velha, que estaria com leucemia, procurou o FOLHA DO SUL ON LINE na tarde desta quarta-feira, 14, para desmentir a informação.
No dia 08 de junho, a própria Renata visitou o site e relatou o que parecia ser uma história dramática: dois anos atrás, ela teria recebido a notícia de que sua filha, Maria Eduarda, então com 2 anos, era portadora de um tipo raro de câncer no sangue. Para cuidar da criança, ela teria deixado o emprego como embaladora num supermercado de Vilhena, levando a menina para a cidade de Barretos (SP), onde ela permaneceria até hoje.
Renata disse também que, no Hospital do Câncer da cidade paulista, teria sido aconselhada pelos médicos a engravidar novamente, para que o bebê doasse material a ser usado no combate à enfermidade da garotinha, que se chama Maria Eduarda e hoje tem 4 anos.
Conforme o relato da mãe, ela teve outra filha em novembro do ano passado. Durante o parto, os médicos colheram material genético do cordão umbilical da criança e fizeram o transplante na irmã doente. A moça ainda acrescentou, durante a entrevista: “De acordo com os médicos o procedimento foi bem sucedido e Maria Eduarda tem boas chances de recuperação”.
Antes de publicar a matéria, a reportagem ligou para uma empresária da cidade que, segundo Renata, conhecia sua história. Ela confirmou tudo o que a jovem havia contado. Diante do aval da comerciante, que mora em Vilhena há mais de 30 anos, o site publicou o caso e deu o telefone da mãe, que pedia ajuda. O texto foi reproduzido em sites e jornais de todo o Estado.
Já a familiar da moça revelou estar sofrendo constrangimentos por causa da “mentira” contada por ela. A fonte, que inclusive cuida da filha mais velha de Renata, diz que a menina apontada por ela como doente, está muito bem de saúde e jamais saiu da cidade, muito menos para ir a Barretos para se tratar, conforme disse Renata, quase aos prantos e com a caçula no colo.
A denunciante disse que sua família mora em Vilhena há quase três décadas, e que muita gente tem comentado sobre a ação de Renata, que seria usuária de drogas. “Ela e o marido são dependentes químicos e usam o dinheiro que as pessoas doam, de boa fé, para comprar entorpecentes”, acusou.
Diante da nova informação, o site ligou para o telefone deixado pela suposta vítima para receber ajuda. Renata admitiu ter mesmo inventado a história e revelou ter sido procurada pelo Conselho Tutelar e o Ministério Público. “Eu admiti ter inventado tudo, mas fiz isso porque não tinha onde morar e estava em dificuldade”. Negou, no entanto, que seja viciada, e garantiu que não recebeu nenhuma doação, embora muita gente tenha ligado no número deixado para receber auxílio.