Produtores endividados, laticínios descapitalizados e associações desacreditadas compõem um quadro sombrio da cadeia produtiva do leite em Rondônia, essencial sob todos os aspectos, a partir do econômico, em seu elo mais fraco: o Cone Sul.
O valor do produto, hoje, é de R$ 0,62 por litro resfriado e R$ 0,55 “in natura”. Para quem tem 10 matrizes em lactação, produzindo seis litros por dia, a renda mensal fica em R$ 1.090,32 ou a R$ 967,23, já descontados os 2,3% do Funrural.
Esse é o ganho “de elite”, de quem financiou animais pelo Basa via Pronaf, com projeto da Emater, Mesmo assim, os produtores enfrentam sol a pino todas as manhãs para formar sua silagem, a massa de folhas, talos e espigas de milho, que fermentada junto com a cana-de-açúcar, será o maná da terra que irá sustentar o rebanho.
A queixa sobre os preços baixos, porém, vai do Perobal à Cascalheira, do Verde Seringal até nova Conquista: “Eles querem botar preço no que é nosso, mas, quando a gente vai no mercado, quem põe o preço são eles, a gente só paga”, conta uma produtora de queijos da Linha 153.
Se muitos reclamam da dureza dos laticínios, poucos controlam seus custos com rigor. No caso da silagem, quase ninguém faz a conta do prejuízo se não a calcular. “Não perder produtividade justifica com sobra o investimento, mas poucos assimilam isso”, diz Rosilene Gouveia, coordenadora regional do Pró-Leite na Emater.
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