Na manhã do dia 8 de junho deste ano, o pequeno empresário Edison Rudes Pacífico, de 40 anos, foi preso em casa, numa chácara nos arredores da zona urbana de Vilhena. Uma viatura da PM levou o chacareiro até a Delegacia de Polícia Civil, onde ele ficou preso por 23 dias, sob acusação de tráfico de drogas. Os policiais encontraram, dentro de um vaso de flores, na varanda da casa do suposto traficante, um pacote contendo 13 “parangas” de cocaína.
No dia 9 de novembro, o juiz da 1ª Vara Criminal, Luiz Antônio Peixoto de Paula Luna expediu sentença na qual considerou que Edison teria sido vítima de uma armação. Os próprios policiais que apreenderam a droga na residência do acusado estranharam alguns detalhes do caso. Uma delas: a denúncia contra Pacífico foi feita por telefone à Central de Polícia, em três ligações anônimas. A pessoa que acionou a PM ligou à noite e, no dia seguinte (data da prisão) fez outras duas chamadas, se queixando da demora dos agentes em deter o “criminoso”.
Ao lavrar sua decisão, o juiz criminal anotou em relação ao acusado: “Se traficando estivesse, guardaria a droga em um vaso, na frente da casa, com fácil acesso a qualquer pessoa? Creio que não. Algumas evidências são tão contundentes que passam a ter o valor de prova”.
De acordo com Leidiane Rosa da Silva, 22 anos, esposa de Edison, existem dois suspeitos de terem “plantado” a droga em sua casa. Seriam pessoas com as quais seu marido teria se desentendido em virtude da disputa por posse de terras. Um deles, segundo Leidiane, teria jurado se vingar de Pacífico. “A nossa casa, que não tem cerca de proteção, deve ter facilitado a ação de quem quis nos comprometer. A pessoa não deve ter tido dificuldades para entrar no local e colocar a droga no vaso”.
Casada há pouco mais de dois anos com Edison, Leidiane se emociona ao falar da prisão dele. Segundo ela, o marido não tem antecedentes criminais e ficou surpreso quando os policais encontraram a droga na varanda da casa. Mesmo após a soltura do marido, a esposa não descansou enquanto não obteve da Justiça a decisão que inocentou o companheiro. “Nós somos evangélicos, graças a Deus, e morríamos de vergonha de sair na rua. Agora, com essa decisão, tudo está esclarecido e poderemos voltar a ter uma vida normal, sem constrangimentos”, alegra-se Leidiane.