Justiça Federal no Espírito Santo condenou o empresário Adriano Mariano Scopel, sócio da Tag Importação e Exportação Ltda, uma das maiores importadoras de veículos de luxo do país, pela prática do crimes de corrupção ativa e passiva e por descaminho --importar ou exportar produtos sem pagar os devidos impostos.
Ele foi condenado em três ações, uma de corrupção e duas de descaminho. A soma das penas prevê o cumprimento de seis anos e nove meses de prisão, além da prestação de serviços comunitários e pagamento de multas de R$ 336 mil.
Segundo a Justiça, além de ter pagado propina a um auditor da Receita, em Rondônia, Scopel utilizava na Tag declarações de importações fraudulentas para nacionalizar motocicletas e eletrodomésticos de luxo para a sua família, sonegando assim os impostos.
Outros cinco réus também foram condenados. Todos ainda podem recorrer da decisão.
Entre os itens adquiridos estão churrasqueiras, lavadoras e secadoras de roupa, geladeiras, freezers e uma moto Yamaha R1. Segundo o Ministério Público, o subfaturamento chegava a 62%.
Um dos refrigeradores importados, que custava US$ 4,5 mil, era declarado ao fisco brasileiro com o valor de US$ 1,7 mil. A moto Yamaha, por exemplo, valia US$ 11,48 mil, mas era registrada com o valor de US$ 8,3 mil.
TITANIC
Scopel foi inicialmente detido em abril de 2008, na chamada operação Titanic da Polícia Federal, que apurou a sonegação de R$ 34 milhões em créditos tributários.
A Titanic foi o ponto de partida de um dos maiores escândalos do Judiciário capixaba: a operação Naufrágio, que prendeu o então presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Frederico Pimentel, juízes, advogados e outros servidores.
Pimentel foi punido com aposentadoria compulsória em 2010, sem direito a receber vencimentos. À época, ele alegou que as conversas telefônicas com Scopel gravadas pela polícia tratavam apenas da compra de um veículo, e não de barganha.
OUTRO LADO
Segundo o advogado de Scopel, Paulo Amador Cunha Bueno, não houve formação de quadrilha nem subfaturamento nas importações, pois não foi levado em conta a "grande oscilação no preço desses tipos de produto no mercado americano".
Bueno disse também que o fiscal que supostamente teria recebido propina disse em interrogatório que isso não aconteceu.