Reuniram-se na sala do Tribunal do Juri no Fórum de Cerejeiras nesta sexta-feira, dia 13 de novembro, membros do conselho tutelar de Cerejeiras e Pimenteiras, presidentes de associação de moradores, membros do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, a Secretária de Assistência Social do Município de Cerejeiras,

alunos da rede estadual e municipal de ensino, professores, o presidente da Associação de Meninas e Meninos Trabalhadores de Cerejeiras, membros do Conselho Municipal do Idoso, membros da defensoria pública e pais, para ouvir uma pelestra ministrada pela Juíza Federal do Trabalho Silmara Negrett Moura, que atua em Vilhena, sobre o tema “Trabalho do Menor: o que pode e o que não pode?”

A Magistrada enfatizou a proibição de trabalho ao menor de 14 anos, que é considerado trabalho infantil, e discorreu sobre as possibilidades de emprego entre os 14 e 16 anos, referindo-se aos contratos de aprendizagem e de estágio. A juíza falou também sobre a condição do trabalhador menor, entre 16 e 18 anos, com suas possibilidades e restrições. Chamou a atenção para a responsabilidade da família e da sociedade civil organizada, enfatizada na Constituição Federal, em relação à formação dos novos trabalhadores.

Os trabalhos foram encerrados com a declamação de uma poesia, de forma conjunta, pela magistrada, por um membro do conselho tutelar, uma professora, uma mãe e uma assistente social, todos de mãos dadas, representando a união de todas estas classes  contra o trabalho infantil e a favor da profissionalização correta dos jovens e adolescentes .

O trabalho da magistrada representa o lançamento da campanha “Trabalho, Justiça e Cidadania”, feita por várias entidades em conjunto, a exemplo da Fundação

Abrinq, do Projeto Ação e Cidadania Betinho e da Associação Nacional de Magistrados do Trabalho (Anamatra).

A professora Edi Aparecida Buralho, vice-diretora da Escola Estadual Ensino  Fundamental Irmã Dulce, de Cerejeiras, declarou que “com o nobre e essencial  incentivo dos magistrados do Brasil, agora fica evidente que é possível uma mudança no quadro mais emergente da sociedade, onde prevalece a força para a democracia, criando um novo perfil de sociedade, com justiça no trabalho, valorizando aqueles que representam o futuro da nação”, completando que “valorizar o jovem é acreditar que o sonho de um mundo melhor não é utopia”.

Também na condição de mãe, Maria Zilda da Silva Pereira disse que “gostaria de agradecer pelo evento importante, em nome das mães de nossa cidade, que apesar de ser uma localidade pequena e distante, fomos honrados com tão importante abertura de  campanha em defesa do menor trabalhador.”

Abaixo, a poesia que recebeu aplausos do público presente ao evento:

 “Onde estará Pedro?

Por onde ele andará?

Não veio à escola. Na sua casa não está.

Dizem que está nas ruas,

vendendo balas nas esquinas

sabor laranja, morango e limão...

Frutas colhidas nas fazendas

por mãos pequeninas

de centenas de meninos e meninas.

Perguntamos: Onde Pedro está?

Mas, também, onde estará Maria, Cristina, João...

Trabalhando no campo? Na cidade? Ou no lixão?

São crianças invisíveis aos olhos de muita gente grande.

Não enxergam suas idades,

maqueiam de bem a maldade.