Porto Velho convocou coletiva de imprensa sobre a situação vivida pelo clube. SEJUCEL fala de entrega e responsabilidade da empresa contratada
 
O Porto Velho ganhou um adversário extra no Campeonato Brasileiro da Série D. Sem o estádio Aluízio Ferreira, restou ao único representante de Rondônia mandar seus jogos com os portões fechados e longe da capital. Ou ainda pior, mandar seus jogos em outro estado. Essas duas possibilidades ainda dependem da aprovação da CBF.
 
Na tabela da Série D, Porto Velho recebe o São Raimundo-RR no estádio Aluizão, a partir das 15h30 (horário local), na capital rondoniense no próximo sábado (11). Mas o local está interditado, segundo a Audax Engenharia, para o recebimento do duelo.
 
Nesta temporada, o estádio esteve em reformas estruturais e, paralelamente, recebia jogos e treinos do clube. Porém, desde quinta-feira (2), o Porto Velho tem passado por dificuldades de utilização do local.
 
Na última quinta-feira (2), poucos minutos da atividade programada para as 15h30 (horário de Rondônia) não havia confirmação sobre a utilização do gramado. A situação se perpetua até a semana do duelo.
 
A equipe recebeu um ofício da Audax Enganharia, responsável pela obra, informando a proibição da “utilização do estádio para quaisquer jogos, treino, evento ou todas as atividades dentro do Estádio Aluízio Ferreira, portões estarão fechados para qualquer atividade realizada, até que sejam concluídos e entregue os serviços da obra, pois ainda a empresa está executando os serviços no local e os mesmos podem ser prejudicados”.
 
No ofício, que pose ser visto na íntegra na imagem secundária, a Audax ainda afirma que a realização da partida entre Porto Velho e Rio Branco-AC em 28 de maio teria acontecido sem a autorização da mesma. Isso causou danos a pintura que havia sido feita no local, afirma.
 
Por essas incertezas, o cronograma de atividades do Porto Velho para a semana do duelo está sem a localidade dos treinos.
 
“Isso é lamentável. Lamentável porque o Porto Velho tem feito uma participação legal na Série D. Não é satisfatório para todos nós a forma com que o esporte tem sido tratado. O mais doloroso é que se nós não tivermos estádio para jogar, nós vamos ter que jogar fora de Rondônia. Porque os outros estádios aqui no estado não tem os laudos necessários para receber o jogo de Campeonato Brasileiro da Série D. Então nós vamos ter que jogar fora de Rondônia”, disse Tiago Batizoco.
 
O presidente do Porto Velho, Jedson Lobo, então convocou uma coletiva de imprensa para falar sobre a situação da equipe. Ele destacou a importância da presença do público nos jogos com os portões abertos e o abalo na questão financeira da falta do evento na cidade de mando. Lobo revelou a preocupação com o atual momento e que houve uma tentativa de conversa com o governador de Rondônia Marcos Rocha sobre o assunto.
 
“Já tem mais de 3200 pessoas que compraram a camisa do clube. Abertura do estádio em agosto? Setembro? Eu vejo que governadores e prefeitos tem a maior alegria quando tem o time que vai representar a cidade. Recebemos um comunicado que o estádio está fechado. Que não vai ter futebol. Fiz uma solicitação de comunicação junto ao governador, ele não me respondeu a mensagem. Há uma reunião mas gostaria que alguém levantasse a mão e a bandeira e dissesse: ‘Eu vou resolver’”, afirmou Jedson Lobo antes de afirmar: “É lamentável. Aqui a gente tem que pedir favor. O papel do governo do estado é fomentar o esporte. Rondônia está em um dos últimos lugares do ranking da CBF”.
 
O técnico da equipe Tiago Batizoco também falou sobre o assunto. Ele é o principal afetado na preparação da equipe.
 
“Os times da capital não tem onde jogar. Temos jogo sábado e não temos onde jogar. Roraima tem estádio, Amapá tem estádio, Acre tem dois, Manaus tem três…e quando eles vem aqui a gente passa vergonha porque nós não temos estrutura para recepcionar nossos adversários e nem para a arbitragem”, frisa Tiago Batizoco.
 
Além do Aluizio Ferreira, outros dois estádios mantidos pelo governo de Rondônia estão sem condições de jogo. O Biancão, de Ji-Paraná e o João Saldanha, de Guajará-Mirim.
 
No início da temporada, antes do duelo com o Juventude (RS) pela Copa do Brasil, a equipe passou por situação semelhante. À época, a cidade de Rolim de Moura se ofereceu para receber o confronto. Porém, houve um movimento por parte do governo de Rondônia junto à Superintendência da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel) para manter a partida em Porto Velho. O que acabou acontecendo.
 
Questionada sobre a situação pelo ge.globo/ro na última semana, a Sejucel, em um primeiro momento, afirmou que o Aluizão está sob responsabilidade da empresa que realiza obras de modernização no local.
 
“O estádio Aluízio Ferreira encontra-se em obras e quem detém a posse para autorizações, treinos, jogos e público é a empresa. O contrato tem prazo para finalização agora para entrega ao Governo do Estado no dia 31 de agosto e também recebemos com surpresa sobre a proibição do Porto Velho ontem treinar, mas oficialmente e legalmente que detém a posse para autorizações é a empresa que está conduzindo as obras. A empresa é quem detém a posse até a entrega da obra. Ela quem detém a autorização pros jogos ou pros treinos”, disse Mayara Metran, superintendente da Sejucel.
 
Após a coletiva, retornamos o questionamento ao governo de Rondônia e foi indagado se haverá um movimento parecido com o que houve na partida pela Copa do Brasil para que fosse realizada a partida na capital rondoniense, mas até a publicação desta reportagem não recebemos o retorno.
 
Além da partida diante do São Raimundo-RR, que acontece sábado (11), perguntamos também sobre os jogos diante do Trem-AP (19/06), contra o São Raimundo-AM (02/07) e 14ª Contra o Naútico-RR, todos marcados para o Aluizão.
 
A reportagem também tentou contato com a Audax Engenharia, responsável pela reforma, mas não foi exitoso. A reforma se arrasta há aproximadamente três anos.