O material está no pátio da Rede Cemat, estatal mato-grossense responsável pela distribuição de energia elétrica, em Cuiabá (MT), há mais de dois meses. As obras, ainda não iniciadas, aguardam liberação da Fundação Nacional do Índio (Funai) para começar com a instalação da linha de transmissão elétrica de Sapezal a Cuiabá. O órgão deixou a decisão a cargo dos próprios índios, que habitam a região.
A reunião, para discussão do assunto, ocorrida na sexta-feira, 29, no Centro de Evento de Comodoro (MT), contou com a participação do prefeito da cidade Marcelo Beduschi MT), engenheiros da Cemat, responsáveis pelo empreendimento, representantes da Funai e mais de 200 índios Nambikwara. O tema foi debatido durante toda a manhã e parte da tarde.
O linhão de 138 KVA, que liga Comodoro ao Sistema Integrado Nacional, vai ampliar a oferta de energia elétrica para atender a demanda dos clientes do Programa Luz Para Todos e melhorar a qualidade da energia oferecida na região. A Cemat prevê ainda a construção de uma subestação de energia em Comodoro, que garantirá a continuidade do progresso na região. "Isso vai atrair a instalação de novas empresas para o município, aumentando a renda e a gerando novos empregos", afirma o prefeito, ao destacar a importância da interligação.
Atualmente, há 264 ligações do Luz Para Todos liberadas em Comodoro, um investimento de mais de R$ 3,315 milhões. Entre os beneficiados estão os produtores da Gleba Macuquinho e Padronal, esta última a cerca de 50 km de Vilhena, além de diversas aldeias do vale do Guaporé. Para as ligações serem feitas, há necessidade de que a linha de transmissão esteja em funcionamento.
Na reunião, não houve resposta definitiva dos Nambikwara, mas o impacto cultural e ambiental foi amplamente discutido. Para que haja a liberação, os índios pedem melhorias e investimentos dentro das aldeias, com a intenção de minimizar dificuldades que possam surgir em decorrência da instalação do linhão.
Uma nova reunião deve ocorrer nos próximos dias em Cuiabá, com a presidência da Rede Cemat, o prefeito de Comodoro, e representantes das comunidades indígenas diretamente afetadas pela passagem da linha de transmissão.