A crítica o chamava de “o menininho da Globo”. Hoje aos 56 anos, o paulistano Guilherme Arantes é um nome respeitável no cenário da MPB. Dia 7 de novembro, o cantor estará em Vilhena, se apresentando no Clube dos Estados.
Ícone dos Anos 70 e 80, emplacava um sucesso atrás do outro. Cheia de charme e Fã número 1 são apenas dois dos grandes hits que não saiam do rádio duas décadas atrás. Mas a carreira ele havia começado bem antes, em 1974, como tecladista da banda de rock progressista Moto Perpétuo.
Foi ainda na década de 1970 que que uma de suas composições estourou e foi utilizada na trilha sonora da telenovela Anjo Mau, da TV Globo. E quem não se recorda da famosa frase musical "quando eu fui ferido, vi tudo mudar"?
Daí para a frente foram 25 temas para telenovelas da Rede Globo, várias canções incluídas em especiais infantis, entre elas o tão famoso Lindo balão azul, que o tornaria famoso nacionalmente, muitas gravações por parte de grandes nomes da MPB, incluindo o rei Roberto Carlos, Elis Regina, Caetano Veloso, Maria Bethânia, entre tantos outros.
E, com isso, lá se vão mais de 33 anos de carreira solo e o reconhecimento imediato de pelo menos vinte canções que ele canta e toca na televisão ou nos cerca de 140 espetáculos ao ano que promove Brasil afora. É fato corriqueiro ouvir o público cantando euforicamente seus 20 maiores sucessos com ele, em shows,.
"Sou um pouco de tudo", diz Guilherme Arantes, "e o que mais me inspira é o amor, departamento mais fascinante do ser humano, que foge à racionalidade e é um mundo vasto, profundo."
Isto remete, de imediato, ao cantor de Êxtase, Planeta Água, Prelúdio, Um dia, um adeus. Mas, o paulistano da Bela Vista Guilherme Arantes está longe de ser somente reconhecido por esse repertório de canções românticas.
Garoto prodígio, tocou cavaquinho e bandolim aos 4 e piano aos 6. Deixou professores de piano de cabelo em pé e literalmente na mão. Em função de sua rebeldia musical tornou-se praticamente um autodidata. Músico profissional aos 15. Músico de baile aos 17. Tecladista do irreverente Jorge Mautner aos 19.
Aos 21, por influência do que acontecia na Europa pós-Beatles, torna-se progressivo, no já cultuado Moto Perpétuo. Verde Vertente hoje consta imponente em antologia do rock brasileiro dos anos 70, ao lado de A Barca do Sol, O Terço, Som Imaginário, Joelho de Porco, Bixo da Seda, Casa das Máquinas, entre outros.
Aos 23, Guilherme Arantes abandona a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da Universidade de São Paulo (FAU-USP), e passa a tocar 530 vezes na novela das 7 da mais poderosa das emissoras brasileiras, o que acabaria lhe rendendo o apelido de "menininho da Globo".