A Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. publicou, no Diário Oficial da União desta terça-feira (5), o edital de licitação do projeto executivo da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que deve ligar Campinápolis (GO) – onde se integra à Ferrovia Norte-Sul – a Lucas do Rio Verde (MT, cidade que fica a350 km de Cuiabá, e se tornar o principal modal de escoamento da soja e milho produzidos na região Norte de Mato Grosso.
A obra, que está listada entre as prioridades do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), será dividida em sete lotes no trecho de 1.004 quilômetros entre os dois municípios. A Fico faz parte de um projeto maior, a EF-354 – Ferrovia Transcontinental – que visa ligar o Oceano Atlântico (litoral do Rio de Janeiro) ao Pacífico (no Peru), tornando-se o maior corredor ferroviário da América Latina.
A estimativa da Valec é de que sejam desembolsados cerca de R$ 70 milhões só no projeto executivo. As empresas projetistas que vencerem essa licitação, prevista para ocorrer daqui a 40 dias, terão até 12 meses para concluir seus estudos. Depois, em nova licitação, estima-se que mais de R$ 4,5 bilhões sejam necessários para efetivamente construir a ferrovia. O presidente da Valec, José Eduardo Castello, prevê o início da construção até dezembro de 2013 e conclusão da obra em 24 meses.
A elaboração de estudos compreenderá os levantamentos topográficos, geológicos e geotécnicos, geofísicos, hidrológicos, geométrico, terraplanagem, remanejamento e interferências, drenagem de obras de arte correntes, obras de arte especiais, obras complementares, superestrutura, pátios ferroviário. Também deverão analisar os componentes ambientais, especificações de serviços e de materiais, quantitativos e orçamentos da obra, plano de execução da obra e o cronograma físico-financeiro.
Depois de o “trem apitar” em Lucas do Rio Verde, a Valec projetará mais um trecho da Fico, de 598 quilômetros, ligando o município a Vilhena. Para esta etapa estão previstos investimentos superiores a R$ 2,3 bilhões.
Estimativas da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) apontam que, quando estiver efetivamente funcionando, a Fico terá condições de baratear em até R$ 1 bilhão por ano o custo do frete que hoje é pago pelos produtores da região. No pico das obras, a Fico deverá envolver até 20 mil trabalhadores.