Graças à “ajuda” de mulheres que não conseguem carona em casas noturnas nos finais de semana, em Vilhena, a Polícia Militar tem flagrado um número recorde de motoristas alcoolizados. Na maioria dos casos, quando a embriaguez é constatada através do teste do bafômetro, além da apreensão dos veículos, os condutores são recolhidos à cadeia, de onde só saem após o pagamento de fiança.

O advogado de um dos motoristas penalizados pela “deduragem” explicou ao www.folhadosulonline.com.br como funciona o “Golpe da Carona”. Freqüentadores de bailões (geralmente mulheres), para economizar no transporte, ao final da noite, abordam outros clientes destes estabelecimentos e pedem carona. Diante da recusa, a PM é acionada anonimamente através do número 190.

De acordo com o advogado, na maioria dos casos os policiais realmente conseguem flagrar a infração de trânsito: “É claro que, estando numa casa noturna, o sujeito bebe e acaba sendo denunciado pelo próprio hálito, percebido com facilidade por policiais já acostumados a tais situações”.

Justamente para evitar que atos pessoais de vingança sirvam para mobilizar o aparato policial, o advogado está aconselhando seus clientes a não aceitar o teste do bafômetro. O causídico explica a estratégia: “Ora, ninguém pode ser preso por se recusar a soprar o bafômetro. Isso caracterizaria abuso de autoridade”. O advogado baseia sua tese em recente pesquisa divulgada pela imprensa, dando conta de que em 80% dos casos de motoristas denunciados por se negar a passar pelo teste, a Justiça absolve os acusados  “por falta de prova”.