Minutos antes de ser empossado presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa liberou para pauta de julgamento do plenário o processo movido pela Ordem dos Advogados do Brasil que contesta o pagamento de aposentadoria vitalícia a ex-governadores de Rondônia.
Depois, sinalizou que esse deve ser um dos primeiros casos de repercussão na Corte na nova gestão. Se o relator não tivesse tomado essa atitude, pelo regimento do tribunal, o processo ficaria paralisado até ser redistribuído para quem fosse ocupar a cadeira do ministro recém-aposentado Carlos Ayres Britto.
A ação referente a Rondônia, ajuizada em março de 2011, é uma da série de 12 que a OAB apresentou para sustar o pagamento a ex-chefes de executivos estaduais País afora. O escândalo veio à tona no início do ano passado. Revelou-se que cerca de 60 ex-chefes de Executivo estadual recebiam o pagamento vitalício, alguns por mais de 20 anos. A repercussão negativa incomodou o Supremo.
Entre os beneficiários da aposentadoria que pode ser extinta pelo Supremo, um é de Vilhena: o ex-governador Ângelo Angelin, que administrou Rondônia por menos de dois anos (de 13 de maio de 1985 a 15 de março de 1987). Prestes a completar 78 anos (o que acontecerá no dia 21 de janeiro), Angelin é um dos que, apesar da brevidade do mandato, recebe a pensão integral. Leva vida discreta na cidade e frequentemente se envolve nas disputas eleitorais locais.