“Ontem ensaiei com uma meia-calça toda de onça, colant preto e faixa laranja”, conta Gaby Amarantos, 33 anos, indicando que a produção do dia anterior estava mais caprichada que a combinação de mini-saia de paetês preta, body azul marinho e faixa de cabelo e polainas azuis que estava vestindo. “Queria que respeitassem a minha individualidade porque acho que de todas as edições a única que tinha alguém com esse visual era eu”, afirma a cantora, se referindo ao pedido feito para a produção do quadro “Dança dos Famosos”, do Domingão do Faustão.
Desde o dia 13 de maio, quando a nona temporada do quadro estreou, a paraense musa do tecnobrega vem se preparando para ensaiar os ritmos da competição que conta com mais 11 participantes além dela – ao todo seis homens e seis mulheres. Os ensaios acontecem duas horas por dia, cinco vezes na semana, quando a agenda de shows de Gaby permite.
O dançarino Bruno Galhardo, parceiro da cantora na competição, entrega: “Semana passada perdemos dois dos ensaios mais importantes: o primeiro e o último. Por causa dos shows. Ela também estava muito cansada. Mas tudo bem. Deu tudo certo”. Mesmo com os treinos comprometidos, Bruno é só elogios a Gaby. “Ela é ótima! Só precisa continuar com dedicação porque disposição tem de sobra. Dá bastante palpite na coreografia e no andamento do ensaio, mas nos entendemos bem”, conta ele, que apoia os adereços extravagantes do figurino da aluna. “O grande lance é treinar com o figurino antes para ver como fica”, ensina.
Enquanto posa para fotos na sala de ensaios, o diretor do programa, Henrique Matias, brinca com a cantora: “Está metida, hein?”. A Beyonce do Pará – o apelido veio após Gaby lançar uma versão nacional para o hit da cantora americana, “Single Ladies” – responde com uma gargalhada.
Desde o lançamento de seu álbum, “Treme”, que vem recebendo todo tipo de crítica positiva da imprensa especializada, a cantora está mesmo rindo à toa. Mãe de Davi, 3 anos, Gaby viu o sucesso se consolidar ao ter uma das músicas de trabalho, “Ex My Love”, se tornar trilha sonora da abertura da novela das sete “Cheias de Charme”. A seguir a entrevista com a cantora que coleciona títulos como diva do tecnobrega:
iG: Qual o contato que você tinha com a dança antes da competição?
Gaby Amarantos: Eu nasci num bairro muito musical e sempre teve essa coisa de gostar de dançar, sempre fui uma criança bem para a frente, gostava de fazer coreografia no colégio, mas nada profissional. Eu sempre tive muita vontade de dançar. Até tenho uma história. Quando era garota queria fazer balé e tinha uma escola muito tradicional de balé. A minha mãe foi até lá para tentar me inscrever e rolou uma parada meio de racismo. Não pude participar. Fiquei meio frustrada com isso e triste porque queria muito ser dançarina.
iG: Não permitiram que você se matriculasse?
Gaby Amarantos: Não permitiram que eu me matriculasse por ser negra. Era uma escola mais elitizada e a minha mãe, na inocência, pensou: “A minha filha quer e vou lá perguntar como é”. Eu estava junto e fiquei meio frustrada com a dança por causa do preconceito. Era garotinha, tinha uns 4 ou 5 anos. Mas se tivesse me dedicado desde cedo talvez tivesse até um corpo diferente porque também queria fazer ginástica olímpica. Talvez fosse mais preparada para a dança. Depois disso não quis fazer mais nada ligado a dança. Fiquei com aquele trauma.