Povos originários não teriam sido ouvidos pelos órgãos do governo federal
Por telefone, o FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou, na manhã desta quinta-feira, 27, um dos líderes dos indígenas que estão protestando contra a privatização da BR 364, principal rodovia federal que corta Rondônia de ponta a ponta.
Aos 38 anos, Gilmar Cinta Larga, que ontem se juntou a cerca de outros 50 indígenas (alguns da etnia Suruí), explica que a concessão da estrada não os ouviu, como está previsto no próprio edital, através do qual o trecho da BR entre Vilhena e Porto Velho, será entregue a uma empresa privada para a exploração dos serviços por 30 anos.
Segundo a liderança Cinta Larga, nenhum estudo de impacto ambiental e social foi apresentado até agora. Ele aponta que as obras e o aumento do tráfego de veículos após a privatização, com a duplicação de alguns trechos, irão afetar diretamente o cotidiano dos povos originários que habitam reservas em quatro municípios de Rondônia: Vilhena, Pimenta Bueno, Espigão do Oeste e Cacoal.
Gilmar disse que os “manifestantes da floresta” estão dispostos a permanecer protestando em um trecho da rodovia próximo ao distrito de Riozinho, entre Pimenta e Cacoal, até que o governo federal envie técnicos para ouvi-los.
O processo de escolha da empresa que será autorizada a instalar sete praças de pedágio neste trecho de cerca de mais de 700 km, está marcado para acontecer hoje. E a disputa pela concessão uniu praticamente todos os segmentos contra o projeto, em Rondônia: comércio, indústria, agro, indígenas e classe política.
Além de enviar uma nota de repúdio assinada por uma associação ligada a povos indígenas (CLIQUE AQUI e leia na íntegra), o líder Cinta Larga deixou claro que seu povo exige ser incluído na “compensação dos impactos”.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 27 de Fevereiro de 2025, às 10:41