Um índio adolescente, que nesta reportagem será chamado pelo nome fictício de Marcelo [preferiu não ser identificado, com medo da Funai (Fundação Nacional do Índio) mandá-lo de volta], fugiu de sua aldeia Cinta-Larga para evitar o cumprimento de uma promessa feita ao nascer. Morando em Vilhena há vinte dias, o filho de cacique deveria, segundo a tradição, casar com uma índia nascida no mesmo dia que ele. Apaixonado pela caça na floresta, o rapaz diz não querer ficar para sempre na cidade e pretender voltar à aldeia quando seu pai falecer e o trono passar a ser seu.

Marcelo saiu da aldeia sem destino. E, de carona numa caminhonete de brancos, foi assistir a um show em Chupinguaia (RO). Depois, desembarcou na rodoviária de Vilhena, onde teve seus pertences roubados assim que chegou.

Enquanto andava pela cidade, encontrou uma das dançarinas da banda que se apresentou em Chupinguaia. A coreógrafa ouviu a história do adolescente [que completa 18 anos no próximo dia 13] e decidiu dar abrigo ao caboclo na casa dela.

“Aprendi a ser borracheiro na aldeia. Vou me tornar sócio de uma borracharia em Vilhena e trabalhar até abrir a minha própria empresa. Não quero morar para sempre na cidade. Mas só pretendo voltar para a aldeia quando meu pai morrer. Assim, me tornarei o cacique da tribo”, revela.

 

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“Não podemos amarrá-los”  – A FOLHA procurou o núcleo local da Funai para entender como é feita a fiscalização de índios que decidem morar na cidade. Segundo uma funcionária do órgão, que exigiu anonimato, “a Funai é o órgão tutor dos índios e prima pela proteção destes, mas não incentiva que venham para a cidade”. (A REPORTAGEM COMPLETA ESTÁ NA EDIÇÃO IMPRESSA DA FOLHA DO SUL)