“Eu mesmo fiquei dois meses trabalhando sem ver dinheiro, apenas pela comida”
Através do WhatsApp, o FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou, na tarde deste sábado, 15, o ex-morador de Vilhena, Jorge Paulo Santos de Oliveira, que desde o ano passado está trabalhando nos Estados Unidos, onde entrou ilegalmente através do México exatamente no dia 11 de março de 2024.
Jorge conta que pagou um “coiote”, guia mexicano que o levou de taxi de Tijuana até próximo à divisa com os EUA, onde entrou a pé. Como muitos outros brasileiros, ele utilizou a tática do “Cai-Cai”, que consiste em se entregar às autoridades americanas e confessar a entrada ilegal no país.
Morando atualmente na cidade de Cicinnati, Estado de Ohio, o brasileiro continua exercendo lá a profissão que tinha em Vilhena, onde deixou a esposa e os cinco filhos: trabalha fazendo reformas de casas. Oliveira já morou em vários outros Estados americanos e conta que, atualmente, consegue mandar de 800 a mil dólares por semana para a família.
“Isso quando não tomo o calote de outros brasileiros, que contratam a gente e depois alegam não ter recebido do contratante, só para se livrar da obrigação”, explica o construtor de 51 anos.
Ex-morador também de Alto Alegre dos Parecis antes de se mudar para Vilhena, Jorge revela que a vida não é fácil para quem chega “na América”, onde muitos são explorados por brasileiros que estão há mais tempo no país.
“Muitos aproveitam e escravizam a gente, coisa muito comum. Eu mesmo fiquei dois meses trabalhando sem ver dinheiro, apenas pela comida. Vários brasileiros fazem isso também com venezuelanos, que se tornam verdadeiros escravos”, revela.
Apesar da tensão gerada pelas declarações do atual presidente dos EUA, o Republicano Donald Trump, que prometeu deportar milhões de ilegais, o vilhenense garante que apenas em alguns Estados, principalmente na Flórida, a fiscalização está mais rigorosa.
O próprio entrevistado, que mal fala o inglês e “arranha” no “portunhol”, já foi multado por infrações de trânsito, mas nunca preso. Ele sabe do risco de ser mandado de volta para o Brasil, mas argumenta que isso sempre aconteceu. Também pondera: as declarações de Trump, que chegaram a assustar milhões de migrantes, não estão se traduzindo em tantos deportados quanto se previa.
No atual governo, porém, todos os que tentam entrar ilegalmente no país usando a estratégia do “Cai-Cai” acabam caindo mesmo: ao contrário de antes, quando o imigrante era solto e tinha que comparecer a uma audiência na justiça, agora a deportação é imediata.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 15 de Março de 2025, às 16:22