Uma entrevista com o Bom Velhinho, que nem é tão velho. O bate-papo com aquele que é considerado o “Papai Noel Oficial de Vilhena” fluiu espontaneamente, com ele vestido à caráter. Hoje, dia 25 de dezembro, o Noel vilhenense completa 45 anos de idade. Daí a origem de seu nome: Natalino Luiz.
Sargento do Corpo de Bombeiros e diretor administrativo do Hospital Regional, Natalino circula de moto pela cidade distribuindo balas e brinquedos. Faz isso 13 anos.
Veja a entrevista concedida ao site www.folhadosulonline.com.br:
FOLHA – Como é que foi a infância?
NATALINO – Nasci no meio rural, em Araçatuba (interior de São Paulo) e tive uma infância muito difícil. Com sete anos já tinha que acompanhar meus pais no corte de cana, até das a hora da aula, 11h30.
FOLHA – E esta história de Papai Noel começou como?
NATALINO – Com 14 anos eu me vestia de palhaço, mas um palhaço diferente, aquele tipo folclórico que acompanha as Folias de Reis [tradição mais comum no Sudeste do Brasil]. A gente arrecadava alimentos, fazia um trabalho social, através deste grupo folclórico. Depois, comecei a ver TV, coisa que não existia na roça. Eu ia até a cidade para ver TV e foi assim que me encantei pela figura do Papai Noel. Mas só comecei a me vestir como ele quando cheguei em Rondônia.
FOLHA – Como que foi essa transformação?
NATALINO – Eu fui concursado para a Polícia Militar em meu estado natal, São Paulo. Mas trabalhei apenas durante um mês na Rotas (Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar) e aí fui atraído para Rondônia. Isso era 1986 e o Projeto Rondon recrutava policiais, professores, enfermeiros e afins para cá, pois havia muita carência de profissionais naquele período que o estado ainda estava começando. Assim, fui primeiro para Porto Velho e no mesmo ano comecei a me vestir de Papai Noel, mas apenas para visitar amigos policiais, participar de suas confraternizações particulares. Já como bombeiro, em 1996, vim morar em Vilhena e comecei no mesmo ano a fazer este trabalho mais amplo, para toda a sociedade.
FOLHA – Você tem ajuda de quem para realizar este trabalho?
NATALINO – Sim, tenho muitos apoios. Empresários fazem doações. Inclusive, o combustível da minha moto, durante todo este período, quem doa é o José Ramalho, dono de um posto em Vilhena. Mas isso só para citar um exemplo, porque são muitas pessoas interessadas, o povo de Vilhena é bom.
FOLHA – Você passa seu aniversário como Papai Noel. E você não ganha presente? Os amigos se lembram que é seu aniversário também?
NATALINO – Meu prazer e ir às festas, inclusive as festas de fim de ano das empresas, onde os funcionários se confraternizam. Não recebo nada por isso e passo todo o meu aniversário fazendo esse lado social. Entrego presentes, doces, brinquedos, cestas básicas, tiro fotos com crianças... Sou muito feliz com isso. Mas eu também ganho presentes, sim. Alguns amigos me homenageiam pelo meu aniversário, apesar de, sinceramente, o meu maior presente é ser o Papai Noel de Vilhena.