Pesquisa do site junto a órgãos oficiais mostra que apenas Vilhena e Pimenteiras tiveram aumento de pedidos do seguro-desemprego
Contrariam boatos que circulam no meio comercial de que, com a pandemia da Covid-19, o número de demissões teria subido drasticamente e que o comércio do Cone Sul pode colapsar a qualquer momento, uma pesquisa realizada pela reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE, junto ao painel de informações de seguro-desemprego do Governo Federal, aponta que a realidade não é bem assim.
A apuração jornalística, que levou em conta os números registrados desde a 2ª quinzena de março de 2020, quando tiveram início as restrições de atividades econômicas por conta da pandemia, até a 1ª quinzena de julho, em comparação com o mesmo período de 2019, mostrou que além do aumento nas solicitações do benefício não terem atingido nem 1% em todo o Estado, com exceção de Vilhena e Pimenteiras, os demais municípios do Cone Sul registraram quedas nas baixas de carteiras (demissões), que ultrapassaram os 40%. Ou seja menos trabalhadores foram dispensados.
Através da análise das solicitações de seguro-desemprego, foi verificado que Cabixi, Cerejeiras, Corumbiara, Chupinguaia e Colorado tiveram números de demissões de empregados formais durante a pandemia menores que os registrados no mesmo período do ano anterior, destacando Cerejeiras, que teve uma diminuição de quase 30%.
Já Vilhena teve aumento de quase 12%, principalmente no mês de maio, no entanto, o número de novas contratações nos meses seguintes, demonstrados através do cancelamento das parcelas dos segurados, torna as demissões, que já não era considerável, irrelevantes.
Porém, a atenção deve ser voltada para o município de pimenteiras, que em 2019 apresentou 17 pedidos de seguro-desemprego, e em 2020 chegou a 45, tendo um aumento de mais de 164%. Apesar dos números serem altos, se levados em conta o número de habitantes que não chega a 2.500, a situação não é tão preocupante.
Em contato com a agência do Ministério do Trabalho de Vilhena, a reportagem foi informada de que a pesquise confere, uma vez que o pouco tempo de fechamento do comércio nos municípios do Cone Sul, teve algum efeito na economia, mas não atingiu os empregos. O órgão, porém, alerta para o número de dispensa de funcionários informais, que não podem ser contabilizados, mas que também afetam diretamente na economia local.
A Assessoria de Comunicação da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho também respondeu ao site e afirmou que Rondônia está entre os Estados onde o desligamento de funcionários está em baixa e as admissões em ascendência, principalmente nos setores de construção civil e agropecuário.
Estes dados foram confirmados pelo Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregos (Novo Caged), que mostra que em junho, o mercado formal de trabalho apresentou melhora, tendo 16% menos desligamentos e 24% mais de admissões com relação a maio. Mês este, já citado acima como sendo o que apresentou uma leve alta de requerimentos de seguro-desemprego em 2020, comparado com os primeiros meses de 2019.
Da 2ª quinzena de março até a 1ª de julho, foram registrados em todo o Estado, 18.417 requerimentos de seguro-desemprego, sendo que o Cone Sul representa 1.983 destes. Já com relação aos valores pagos, até o momento o Governo do Estado liberou 45.344 parcelas, com valores aproximados de R$ 1.290,00 cada.
Ainda em nível estadual, os números apontam que 60% dos requerimentos são de homens, na faixa etária de 30 a 39 anos e que o ramo que mais demitiu, foi o comércio.
Os números podem ser conferidos no site do Governo Federal através do link: http://pdet.mte.gov.br/seguro-desemprego
Confira abaixo uma planilha elaborada pelo site somente com os números de requerimentos de seguro-desemprego realizados pelos municípios do Cone Sul no mesmo período de 2019 e 2020.
Fotos
Autor:
Lei Freitas
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 30 de Julho de 2020, às 16:03