Uma crise atinge o comércio em todo o Cone Sul. Não se trata, porém, de uma resseção econômica. A crise que atormenta os comerciantes nos municípios da região é a escassez de moedas no mercado. Faltam as famosas “pratas”, ou “nicas”, como são popularmente chamadas o dinheiro de metal que representam pequenos valores, ideias para trocos.
Quando existem em quantidade suficiente no comércio, as moedas facilitam a atividade comercial, especialmente o varejo. As “pratas” servem para devolver o troco ao cliente, serve também para chegar a valores mais exatos de uma mercadoria e é o dinheiro ideal para compras de mercadorias de pequeno valor, como o pão caseiro diário.
A reportagem da FOLHA conversou com diversos comerciantes noCone Sul e quase todos eles relataram o mesmo problema da falta de moedas no mercado local.
Uma dona de uma padaria em Cerejeiras chegou ao ponto de fixar uma placa no caixa, dizendo: “Precisamos de moedas”. A placa, cuja foto ilustra esta reportagem, já foi retirada, mas o problema da escassez de moedas não foi resolvido.
Uma funcionária de uma loja de móveis, também em Cerejeiras, afirma que, às vezes, é preciso comprar um doce de um ambulantee pagar em dinheiro de papel só para pegar o troco em moedas para, só depois, devolver o troco ao cliente da loja.
Um farmacêutico em Colorado resolveu dar descontos para quem comprar em moedas. “Ofereço também três por cento de juros para o cliente que quiser trocar moedas em células”, diz o farmacêutico coloradense. Ou seja, se o cliente levar R$ 100 em moeda na empresa, volta para casa com R$ 103.
Também, na falto do troco, o comerciante pode arredondar o valor, geralmente para baixo, para evitar a necessidade das moedas.
Entretanto, essas soluções improvisadas, tomadas pelos próprios comerciantes, acabam prejudicando a lucratividade do setor varejista.
Segundo relato dos próprios comerciantes são os próprios clientes que são os responsáveis pelo desaparecimento das moedas do mercado local. “É costume de muita gente ter cofrinhos em casa. Essa é a principal razão”, disseram dois comerciantes à reportagem, um de uma loja de eletrodomésticos e outro de um supermercado, ambos em Cerejeiras.
O mais grave é que não parece haver saída para a atual crise de moedas em Cerejeiras. Uma das soluções seriam os bancos trazerem esse tipo de dinheiro para o município. Entretanto, uma comerciante relatou que nem mesmo o sistema bancário tem o dinheiro de metal para lançar no mercado local. “Um funcionário de um banco aqui em Cerejeiras me ligou pedindo se eu tinha moedas para trocar em dinheiro de papel”, disse uma funcionária de uma loja de confecções.
Para solucionar o caso, estão sendo pensados em diversas saídas. Os comerciantes dos municípios do Cone Sul, junto com as respectivas associações comerciais, estão pensando numa espécie de “moeda virtual”, ou “vales”, ou até mesmo uma promoção de incentivo para que o cliente “esvazie” os cofrinhos. Mas, até o momento nenhuma dessas iniciativas foi posta em prática ainda.